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Aos 20 anos lutaram contra a ditadura. Aos 60 apoiam governo de esquerda

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Um grupo de líderes estudantis que lutou contra a ditadura na década de 1970, apela ao entendimento entre PS, PCP e BE

Antigos dirigentes estudantis organizados na plataforma esquerda.link promoveram 3ª feira ao fim da tarde, em Lisboa, na sede da Associação 25 de Abril, uma conferência de imprensa em que apelaram à formação de um Governo de esquerda. “Não se trata de cantar vitória porque a formação mais votada foi a coligação de direita”, disse Pedro Ferraz de Abreu, antigo membro da Associação de Estudantes da Faculdade de Ciências de Lisboa e hoje professor catedrático.

“Contudo, é inequívoco que os votos no PS, BE e PCP correspondem à rejeição clara destes quatro anos de governação e que, em conjunto, chegam para constituir um governo estável com apoio parlamentar”, acrescentou Ferraz de Abreu.

Questionado sobre as características desse Governo, ou seja, se deve ser de PS em minoria com apoio parlamentar do BE e PCP ou se deve integrar elementos dos três partidos, Ferraz de Abreu disse que a plataforma não tinha uma posição unânime sobre esse assunto mas que o essencial é que “esse Governo seja o que der mais garantias de solidez”. E que se vincule àquilo que é comum ao posicionamento dos três partidos: defesa do estado social, inversão das prioridades a favor dos mais desfavorecidos e respeito pelos compromissos com os reformados e os trabalhadores.

Ferraz de Abreu criticou o Presidente da República por não ter estado presente nas comemorações do 5 de Outubro e por “ter feito uma pré-indigitação de Passos Coelho antes de os votos da emigração terem sido contados e de ter ouvido os partidos”. Nestas circunstâncias dar posse a um Executivo presidido por Passos Coelho “é uma perda de tempo e de dinheiro” na opinião do ex-dirigente associativo do ensino secundário, José Carlos Gomes. E que só pode ser interpretada “como uma aposta na pressão da direita sobre alguns deputados do PS para que, no Parlamento, traiam o mandato recebido dos eleitores”.

A concluir, Ferraz de Abreu disse ser necessário voltar aos valores e às causas da esquerda “porque o mero pragmatismo cria um vazio ideológico que não atrai as novas gerações”. A tomada de posição deste grupo de ex-dirigentes estudantis que participaram no combate à ditadura “respeite-se o voto, queremos um governo de esquerda” circulou na internet e, segundo os seus promotores, recolheu já centenas de apoios.

Dos subscritores do documento fazem parte, alem dos dois elementos atrás referidos, Glória Ramalho, primeira mulher a presidir a uma associação de estudantes (a da Faculdade de Ciências de Lisboa, em 1972), Vasco Lupi da Costa (cine Clube Universitário de Lisboa) e José Portela do Conselho de Repúblicas de Coimbra, entre outros.