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António Vitorino: “Portugal está a viver um processo inédito e sem precedentes”

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O ex-Comissário Europeu e ex-ministro da Defesa de António Guterres, António Vitorino, alerta para o perigo de se queimarem etapas com a pressa de formar Governo, e lembra que os alemães, “campeões da produtividade”, demoraram três meses em negociações para obter um acordo de regime

Portugal está a viver “um processo inédito, que não tem precedentes” nestas quatro décadas de democracia, disse António Vitorino, no espaço de comentário que partilha com Santana Lopes na SIC Notícias. O ex-Comissário Europeu e ex-ministro da Defesa do Governo socialista de Guterres, defende que não é “aconselhável queimar etapas”, e que depois das últimas eleições alemãs, as negociações para obter um acordo de Governo “demoraram três meses”.

Vitorino foi peremptório a afirmar: “Prefiro levar o tempo que for necessário do que queimar etapas”.

Comentando a eventual formação de um Governo de esquerda, o ex-primeiro-ministro, Pedro Santana Lopes, até admite a hipótese de Bloco e Partido Comunista estarem dispostos a “meter o seu programa na gaveta e a abdicar dele por razões de interesse nacional”. A questão é que “não os ouvi dizer isso”.

Na opinião de Santana Lopes, a Coligação está demasiado passiva. Neste momento “há uma desorientação coletiva”.

“O PSD e o PS estão tão zangados que continuam a falar do passado e não são capazes de falar do presente e do futuro. Quando uma pessoa quer mesmo construir” alguma coisa, não deixa o passado ser um entrave, acrescenta Santana Lopes, lembrando que Costa “tinha pouca vontade de negociar” e Passos também. Só que este último tem “necessidade de negociar”.

Quando os negociadores envolvidos querem que as negociações tenham êxito, “não falam enquanto elas estão em curso”, lembra Santana, acrescentando que se trata de uma regra básica.