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Portas e Maria Luís namoram PS. E lembram: “Contas públicas” estão bem e “escrutinadas”

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Paulo Portas e Passos Coelho, em campanha para as Legislativas de 4 de outubro de 2015

Namoro da PàF ao PS continua. Paulo Portas foi ao “Jornal das 8” da TVI e Maria Luís ao “Jornal da Noite” da SIC, para dizerem a mesma coisa. Ambos reiteraram que a coligação “espera que o PS caia em si” e viabilize uma solução governativa com o contributo dos três partidos “que acreditam no arco europeu”

Numa operação concertada de propaganda pós-eleitoral, Paulo Portas e Maria Luís Albuquerque sentaram-se à mesa de jantar com os portugueses, na noite desta segunda-feira, através dos dois canais privados em sinal aberto. O estilo foi diferente, mas ambos disseram que a coligação “venceu as eleições” e, por isso, esperam que o PS de António Costa viabilize um Governo maioritário de Passos e Portas.

Numa entrevista conduzida por José Alberto Carvalho no J“Jornal das 8” da TVI, Portas foi enfático ao afirmar que o “interesse nacional não é estar a discutir todos os dias a nossa pertença ao euro. 80% dos deputados são pró-europeus. O que está em causa é se o país tem Governo”.

O tom do vice-primeiro-ministro de Passos Coelho foi subindo e Portas deu um xeque-mate a António Costa, lembrando que “o interesse nacional é muito diferente de um manual de sobrevivência partidária”. Portas chegou mesmo a deixar em aberto a possibilidade de abdicar de ser o número dois do futuro Governo, se tal fosse o preço a pagar para conseguir um acordo de regime entre o PS, o PSD e o CDS : “Se eu tivesse de deixar de ser o número dois num Governo [do PS, PSD, CDS] deixaria”.

Dando uma no cravo, outra na ferradura, acrescentou que António Costa tem “muito pouca humildade para quem perdeu”.

Quase em simultâneo, na SIC, Maria Luís Albuquerque dizia: “A nossa intrepretação dos resultados é clara. Quem venceu as eleições foi a Coligação. Os portugueses querem que a Coligação continue a governar”, mas também querem “um entendimento com o PS”.

Contas “ocultas” já não são possíveis

“Hoje não é possível ter contas ocultas“; a UTAO tem acesso direto às bases de dados e as “contas públicas são escrutinadas”, disse a ministra das Finanças sobre o alerta sobre a sanidade das contas públicas lançado pelo secretário-geral do PS, em entrevista à TVI na passada sexta-feira.

Mais dramático, Paulo Portas, disse: “Não há o direito de lesar a credibilidade externa de Portugal. Vivemos num tempo de comunicação global”, em que o é dito por um político dentro do país tem repercussões lá fora. Qualquer afirmação sobre as “finanças públicas” tem custos e “lesa a credibilidade de Portugal”.

Na entrevista conduzida por Rodrigo Guedes de Carvalho, a ministra das Finanças lembrou que na reunião que teve com Mário Centeno “não foi colocada nehuma questão” sobre as contas públicas. A coligação PàF quer que o PS diga o que quer, e que “entre [nesta] negociação de forma séria e empenhada”.

Maria Luís fez questão de lembrar que “juntos“, PSD, PS e CDS, “têm mais de 70% dos votos” expressos pelos portugueses nas Legislativas de 4 de outubro.

“Da nossa parte, é fundamental que tenhamos um Governo empossado e um orçamento discutido e aprovado quanto antes”, para evitar uma “deterioração da situação do país”. Na situação de “fragilidade” em que a economia portuguesa ainda está, esse risco existe se não se criarem rápidas “condições de governabilidade”.

Expectativas dos eleitores

Ao longo de toda a entrevista conduzida por José Alberto Cravalho, Portas foi dizendo que queria “chegar a um acordo” com António Costa: “Estou de boa fé”. Mas “vi até hoje o dr. António Costa desviar o eixo de governação muito para a sua esquerda. Ponha-se no lugar das pessoas que votaram na coligação. As pessoas sentem que o seu voto foi sequestrado".

Portas lembrou ainda que "há uma grande diferença em termos de empenhamento e sentido construtivo entre aquilo que aconteceu nas reuniões entre o Partido Socialista e a Coligação, e entre aquilo que acontece entre as reuniões do PS com os partidos mais à esquerda”.

E, numa tentativa de reafirmar o total empenho da coligação PSD/CDS na corte que está a fazer ao PS, disse: “Eu fiz críticas políticas ao dr. António Costa durante a campanha. Mas nunca lhe fiz um ataque pessoal”.

“Objetivamente não obtivemos do PS um comportamento” de colaboração: “Não podemos voltar a governos de seis meses. Em economia aberta a confiança e o investimento deslocalizam-se num segundo; é um clique no computador”.

“Eu tenho a esperança de que o PS caia em si. Há 41 anos que os partidos que garantiram o progresso e a salvação do país foram o PSD, o PS e o CDS”. É neste arco que “temos que encontrar uma solução”.