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Passos pergunta a Costa se quer entrar num Governo com a coligação

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Nuno Botelho

Na última sexta-feira, o líder socialista criticou numa carta a postura da coligação nos encontros entre os partidos. Agora Passos diz que o documento “frustra as expectativas,” seguindo a mesma “linha que o PS tem usado para evitar” o entendimento. Mas volta a garantir disponibilidade para negociar um compromisso para a governabilidade

Passos Coelho aperta o cerco ao PS. Em resposta à carta enviada por António Costa, o líder do PSD utilizou este domingo o mesmo meio para afirmar que o documento não adianta nada em relação à posição que tem sido assumida pelo partido socialista. E exige que o secretário-geral do PS esclareça se pretende uma discussão enquanto futuro membro de uma coligação de Governo mais alargada.

“É incompreensível que o PS responda às propostas da coligação enunciando exclusiva e exaustivamente medidas do seu próprio programa eleitoral, sem sequer as hierarquizar”, lê-se no documento, citado pela TVI.

Segundo Passos Coelho, ninguém compreenderia que a coligação governasse com um programa do PS, defendendo que isso “constituíria uma perversão total dos resultados eleitorais”.

Reitera que a coligação tem demonstrado uma atitude de “abertura negocial” e “boa fé” e que chegou a inclui 23 propostas do programa do PS no “Documento facilitador de um Compromisso enter a coligação Portugal à Frente e o Partido Socialista para a Governabilidade de Portugal.”

Garantiu ainda que a coligação forneceu toda a informação financeira solicitada pelo PS e a este respeito acusou o partido socialista - à semelhança já tinha feito o vice-presidente do PSD no sábado - de “fazer sugestões e insinuações irresponsáveis e sem qualquer fundamento real 'sobre a situação do País, de empresas estratégicas ou do conjunto do sector financeiro'.”

No geral, o primeiro-ministro sustenta que a carta enviada pelo PS “frustra as expectativas de todos aqueles que contavam com a prossecução das conversas entre o PS, o PSD e o CDS com vista a um entendimento que pudesse garantir a estabilidade e a governabilidade.”

“Se o PS prefere discutir estas matérias enquanto futuro membro de uma coligação de Governo mais alargada, então que o diga também com clareza”, acrescenta.

Acusa ainda o PS de “radicalismo” e de preferir “agir com a extrema-esquerda a negociar com os partidos europeístas” e pede por isso a clarificação das reais pretensões dos socialistas.

“Se o PS está verdadeiramente empenhado em chegar a um acordo de princípio, então deverá apresentar uma contraproposta objetiva”, afirma perentório.

Por fim, volta a assegurar que a coligação mantém a sua “inteira disponibilidade para negociar um compromisso para a governabilidade e para a estabilidade” do país, sublinhando que isso só fará sentido “junto daqueles que, como, os socialistas, comungam dos objetivos associados à pertença do país à União Europeia e ao Euro, bem como os princípios da economia social de mercado".

António Costa enviou na sexta-feira uma carta de seis páginas a Passos Coelho, acompanhada por um documento anexo de oito páginas intitulado “Pontos essenciais dos objetivos do PS ausentes da proposta”.

Na carta, o líder socialista acusou a coligação de manter “uma política de falta de transparência e ocultação de informação” durante o diálogo com o PS, revelando “incapacidade para construir qualquer plataforma de entendimento”.

Costa alegou ainda que os sociais-democratas e os democratas cristãos mantêm “no essencial a estratégia de consolidação das contas públicas através de políticas de empobrecimento do país”, que o PS recusa.

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