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Marisa Matias avança para Belém

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ALBERTO FRIAS

O Bloco de Esquerda terá um candidato próprio à Presidência da República: a escolhida é a eurodeputada do partido

A Mesa Nacional do Bloco de Esquerda irá amanhã votar o apoio a Marisa Matias como candidata à Presidência da República. O nome da eurodeputada foi aprovado na reunião da comissão política do BE de segunda-feira.

Segundo apurou o Expresso, tratou-se de uma escolha consensual entre as diversas sensibilidades do BE. A direção do partido “não faz qualquer comentário sobre as presidenciais até domingo”. Já Marisa Matias recusou prestar declarações, por “nunca falar de um assunto antes de os órgãos do partido tomarem uma decisão”.

Marisa Matias, de 39 anos, é atualmente o único eleito do Bloco em Bruxelas e Estrasburgo. Nas últimas eleições europeias, em 2014, foi a cabeça de lista do BE. É um dos vice-presidentes do Partido da Esquerda Europeia, a família política onde o BE se insere.

A apresentação de uma candidatura própria do Bloco foi-se desenhando nos últimos tempos. Até finais de abril, quando Manuel Carvalho da Silva ainda estava na corrida a Belém, o ex-líder da CGTP fazia praticamente a unanimidade como a melhor opção. Então, só como “solução de recurso” é que os bloquistas admitiam apoiar alguém pertencente às suas fileiras.

Ocupação do espaço

Mas desde então, o quadro político mudou bastante. Primeiro, a desistência de Carvalho da Silva. Mais recentemente, os resultados das legislativas, excelentes para o Bloco. E com candidatos em todas as áreas partidárias à esquerda (vários no PS, sem que os socialistas apoiem algum; e com o PCP a indicar Edgar Silva), tornava-se inevitável que o BE fosse a jogo, para a marcação do terreno.

Marisa Matias é socióloga, doutorada na área do ambiente e da saúde pública e investigadora do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra. Integra a comissão política e a Mesa Nacional do BE.

No PE, Marisa Matias é desde o início deste ano uma das vice-presidentes da comissão especial que investiga as “práticas fiscais agressivas” nos Estados-membros. Atualmente é também coordenadora da comissão de assuntos económicos e monetários, integrando ainda as comissões de indústria, investigação e energia. E preside à delegação do PE para as relações com os países do Maxereque (Síria, Jordânia, Líbano e Egito).

A futura candidata presidencial do BE tem contactos privilegiados com dirigentes da esquerda europeia. É o caso do líder do Syriza e primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, do espanhol Pablo Iglésias, do Podemos, e do recentemente eleito líder trabalhista britânico, Jeremy Corbyn.

Cotada entre os seus pares do PE (por exemplo, já foi eleita, por voto secreto, como deputada do ano na área da saúde), a Marisa Matias não são, todavia, estranhos os caminhos nacionais. Ainda na recente campanha, na metade da semana em que não estava na Europa, calcorreou parte do país. Fê-lo sobretudo no Centro e Norte, ora ao lado de Catarina Martins ora numa agenda própria, acompanhando outros cabeças de lista do BE. Foi o não candidato à Assembleia da República mais presente em iniciativas de primeiro plano (à frente de Francisco Louçã, entre outros).

Se tal colocação de Marisa sob os holofotes já fazia parte da estratégia agora assumida pelo Bloco, é algo por esclarecer. Mas que esse roteiro da eurodeputada lhe dará embalagem para a corrida a Belém que a espera nos próximos tempos, lá isso dará.