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Eanes reitera apoio a Nóvoa

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MANUEL DE ALMEIDA / Lusa

Ex-reitor retoma combate e Maria de Belém resguarda-se por ora. Ambos já têm diretor de campanha

Cristina Figueiredo

Cristina Figueiredo

Jornalista da secção Política

Luísa Meireles

Luísa Meireles

Redatora Principal

Uma semana depois de Sampaio da Nóvoa ter publicamente confirmado que se mantinha na corrida a Belém, o general Ramalho Eanes veio reiterar o seu apoio ao ex-reitor da Universidade de Lisboa. “É o candidato mais bem colocado para assumir a presidência de Portugal, na situação dramaticamente crítica em que o país se encontra”, disse o general ao Expresso.

Para Eanes, um dos três exPresidentes que apoia a candidatura do ex-reitor, no atual momento de crise, “é necessário um homem que saiba responder aos desafios que se vão colocar, dialogando e fazendo pontes e, sobretudo, com espírito de missão”, uma característica que, segundo diz, o “toca particularmente”. O general afirmou que Nóvoa é um homem que “assume a honra do país, respeito pela sua cultura e unidade nacional, capaz de convencer todos a trabalhar em conjunto”, tanto mais que tudo se processa “num país de soberania limitada, embora voluntariamente cedida a uma Europa que responde à globalização em ordem dispersa e não concertada”.

O ex-Presidente pensa que Nóvoa tem hipóteses de ganhar, porque acredita na resposta positiva dos portugueses, “assim a comunicação social cumpra o seu papel, mostre todos os candidatos e lhes tire as máscaras”. E concluiu: “Acredito nisto, é o meu último combate”.

O ex-reitor retoma já na próxima semana a sua campanha, iniciando a sua terceira volta a Portugal com uma ida ao Porto, onde está marcada para dia 22 uma conferência sobre cidadania e desenvolvimento. Também está para breve a campanha de imagem, com a afixação de cartazes. Com socialistas divididos entre a sua campanha e a de Maria de Belém, já entrou em funções o diretor de campanha, o deputado do PS Pedro Delgado Alves.

Belém à espera da solução para o Governo

Depois da apresentação da candidatura, na terça-feira, e de uma única entrevista (a Judite de Sousa), Maria de Belém decidiu resguardar-se por ora. Cancelou as entrevistas que tinha marcado e aguarda pela definição do quadro político para voltar a falar publicamente. Na TVI, foi evidente o cuidado da candidata em não deixar transparecer o que pensa sobre quem deve o PR indigitar para a formação do Governo, a predisposição de António Costa em negociar um acordo de Governo à esquerda, ou se este deveria ter-se demitido depois da derrota nas legislativas de 4 de outubro.

“Considero que não devo meter-me em relação à vida interna do PS”, justificou a ex-presidente do PS, revelando que não esteve presente na última reunião da Comissão Política do PS (de que é a primeira efetiva) nem estará presente na próxima.

A máquina da sua candidatura presidencial vai, entretanto, ficando afinada. António Ramos Preto, que presidiu ao Conselho de Jurisdição do PS no mandato de António José Seguro (e enquanto Belém presidia ao partido), é o seu diretor de campanha; Eduardo Marçal Grilo (ministro da Educação no primeiro Governo de António Guterres, quando Belém era ministra da Saúde) o seu mandatário nacional.

“Numa república democrática não há coroação nem nomeação; há eleição e eu candidato-me a esta eleição para disputar a vitória”, garantiu Maria de Belém Roseira, 66 anos, na declaração de candidatura, num recado com destinatário bem identificado (Marcelo Rebelo de Sousa). Uma decisão “profundamente amadurecida”, tomada com “total independência do momento político e das agendas partidárias”.

É esta “afirmação de autonomia política que testa a credibilidade e a isenção de uma candidatura presidencial”, disse ainda, numa nova indireta, desta vez a Sampaio da Nóvoa, que se afirma como o verdadeiro candidato independente.