Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

Costa envia carta dura a Passos

  • 333

Nuno Botelho

Num documento enviado ao final da tarde de sexta-feira, a que o jornal “Público” teve acesso, o líder socialista acusa Pedro Passos Coelho de se ter apresentado “displicente, sem nada a propor” na primeira reunião entre os dois partidos. Apesar do tom crítico, Costa mantém as portas abertas a um entendimento

Numa carta de seis páginas, acompanhada por um documento anexo de oito páginas intitulado “Pontos essenciais dos objetivos do PS ausentes da proposta”, que António Costa enviou a Pedro Passos Coelho é referido que há ainda um longo caminho a percorrer até ambos os partidos chegarem a um entendimento. O documento, divulgado este sábado pelo jornal “Público”, dá ainda conta das conclusões que os socialistas tiraram dos encontros com a coligação.

Costa acusa a coligação de manter “uma política de falta de transparência e ocultação de informação” durante o diálogo com o PS, revelando “ incapacidade de, de boa-fé, construir uma qualquer plataforma de entendimento”. Segundo refere o mesmo documento, a coligação Portugal à Frente (PàF) “revelou-se incapaz de assumir qualquer correção à política económica prosseguida aos longo dos últimos quatro anos” e mantém “no essencial a estratégia de consolidação das contas públicas através de políticas de empobrecimento do país”.

A coligação de direita “confirmou a manutenção do objetivo de redução de rendimentos das famílias portuguesas como política para uma ‘poupança’ de 600 milhões de euros/ano (2400 ao longo da legislatura) na área da segurança social” e deixa “inalteráveis aspetos essenciais do seu programa de enfraquecimento das funções sociais do Estado, que foram explicitamente rejeitados por uma ampla maioria do eleitorado”.

Por último, António Costa afirma que a coligação “não manifestou qualquer disponibilidade para a construção de uma política europeia que se empenhasse em criar condições mais favoráveis para concretizar uma recuperação da economia portuguesa”.

Apesar das críticas, avança o jornal “Público”, ao longo de toda a missiva não é mencionada a vontade de colocar um ponto final nas negociações entre PS e coligação. No entanto, o líder socialista diz-se “surpreso” com a “forma deselegante” com que Passos terminou as negociações.

  • PSD: “Não estamos disponíveis para simulacros negociais”

    Marco António Costa diz que as dúvidas lançadas pelo PS sobre as contas públicas são “infundadas” e que essas insinuações têm por base preocupações políticas. Quanto à coligação, garante que nunca abandonará a “atitude séria” de negociação