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Jerónimo: “Nada impede o PS de formar Governo e entrar em funções”

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Mário cruz/Lusa

Em declarações aos jornalistas, o secretário-geral do PCP diz que para já o seu partido só viabiliza um Governo do PS, mas nada mais

"O quadro institucional e de a correlação de forças no Parlamento em nada impede o PS de formar Governo e entrar em funções", disse aos jornalistas Jerónimo de Sousa, após o encontro mantido no Parlamento com uma delegação do BE.

No entanto, neste momento, o entendimento entre comunistas e socialistas não passa daquele ponto. Com ele, o PCP assume "a firme determinação de não permitir a formação de um Governo PSD/CDS".

Quanto a um entendimento à esquerda que vá além da posse de um Governo do PS, Jerónimo de Sousa meteu gelo na discussão, afirmando que o "caminho não é fácil", pois os três partidos partem de "programas e pressupostos diferentes".

No momento seguinte, fazendo lembrar alguns discursos durante a campanha eleitoral, o secretário-geral do PCP lembrou "a distância a que o programa do PS está de uma rutura com as políticas da direita".

Aviso ao PS

Para lá da garantia de apoio a um Governo socialista, nas declarações de Jerónimo de Sousa ficam sobretudo recados ao PS. "A questão essencial" das discussões em curso passa, segundo o líder do PCP, por responder a duas questões: "um Governo para quê e para quem?"

Jerónimo enfatizou a necessidade de uma "outra política", diferente da seguida pela direita. De seguida, deu alguns exemplos do que entende ser necessário no país, uma espécie de caderno de encargos para um Governo socialista: salário mínimo de 600 euros no início do próximo ano, desagravamento da carga fiscal para trabalhadores e pequenos empresários, a Segurança Social como um sistema público universal, defesa do acesso à Educação, Saúde e Cultura, manutenção de sectores estratégicos como os transportes coletivos na esfera pública ou ainda a necessidade de renegociação da dívida.

Mais adiante, voltando a defender a necessidade de uma política alternativa, feza um avuso à navefação: "tudo o que não corresponda aos objetivos contará com a oposição do PCP."

O secretário-geral do PCP disse, no entanto, que para lá da luz verde ao programa de Governo "continua o diálogo" com o PS, mas a partir de medidas concretas.

Por fim, questionado pelos jornalistas sobre a duração de um entendimento com o PS, se apenas para o imediato ou para a totalidade da legislatura, Jerónimo de Sousa respondeu de forma muito clara: "Neste momento, estamos mais a pensar na estabilidade da vida dos portugueses, que sofreram um inferno com a política da direita, do que na estabilidade governativa".