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Horta-Osório pede “estabilidade” e solução de Governo que junte PSD/CDS e PS

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Horta Osório foi à Renascença falar do impasse político que Portugal está a atravessar

Tiago Miranda

O influente banqueiro português foi ao programa “Conselho de Diretores”, da Rádio Renascença, falar da situação política portuguesa. Para Horta-Osório, PSD/CDS e PS reuniram “esmagadora maioria” dos votos e portanto devem governar

O presidente-executivo do banco britânico Lloyds, António Horta-Osório, vê com "muita apreensão" a possibilidade de o próximo Governo português poder ser de "extrema-esquerda". Falando esta quinta-feira como convidado no programa da Rádio Renascença "Conselho de Diretores", Horta-Osório apela ao "sentido de Estado" dos atores políticos portugueses, numa altura em que está em causa a formação do próximo Governo.

O banqueiro português diz que a sua preocupação reside no facto de "podermos ter soluções muito complicadas em termos de confiança externa e interna". Neste sentido, defende vincadamente a necessidade de se chegar a uma solução de Governo estável: "É essencial para Portugal. E foi nisso que os portugueses votaram".

Para Horta-Osório, um possível Governo que junte PS, PCP e Bloco de Esquerda pode "desbaratar aquilo que foi arduamente conquistado pelos portugueses". Falando sobre a coligação de direita cessante, o banqueiro admite que as suas reservas quanto a um Governo de esquerda também se devem aos resultados dos últimos quatro anos: "Parece-me que o país está a melhorar, a ir na direção correta". Segundo ele, "o país votou claramente pela continuação das políticas que estavam a ser seguidas".

Na defesa de uma estabilidade política na próxima legislatura, o banqueiro recorda que PSD/CDS e PS reuniram nas últimas eleições cerca de 70% dos votos expressos - "uma esmagadora maioria" que pode dar acesso à desejada estabilidade.

Quanto a reações dos mercados financeiros à crise política nacional, Horta-Osório fala de um cenário que não é, por enquanto, preocupante: "Houve apenas pequenos sobressaltos ao nível da dívida pública". No entanto, mesmo não estando o país "no centro das atenções", Horta-Osório diz que já foi abordado por "vários contactos internacionais e pessoas do Governo inglês" para esclarecer a situação.

Questionado sobre as reformas estruturais que será necessário conduzir em Portugal nos próximos tempos, Horta-Osório considera que Portugal é ainda um país "pouco exposto à concorrência", mas salientar os benefícios das políticas mais recentes, elogiando reformas "muito importantes" na administração pública, em termos fiscais e na saúde.

A conversa, que incidiu sobretudo nos temas do impasse político em Portugal e da situação da banca, foi conduzida pelos jornalistas Raquel Abecassis, Pedro Santos Guerreiro e Henrique Monteiro.