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Costa: “Só serei primeiro-ministro se houver uma maioria no Parlamento que me apoie”

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José Carlos Carvalho

Líder socialista garante, em entrevista à TVI, que “nunca sonhou em ser primeiro-ministro”, mas sublinha que é o PS que está em condições de formar um Governo estável

António Costa começou a entrevista à estação de Queluz, esta sexta-feira, com uma mensagem de “tranquilidade”. O secretário-geral do PS afirmou que o país não vive uma situação anormal, mas apenas o “resultado da escolha dos eleitores que não deram maioria a nenhuma força partidária”. E que os mercados estão também “serenos”.

O líder socialista voltou a garantir que o seu partido não está disponível para formar uma maioria negativa, nem aprovar a moção de rejeição do PCP e do BE sem uma alternativa de governação. “Temos que trabalhar num quadro diferente daquele que estávamos habituados a trabalhar e isso exige esforço.”

Falou novamente na queda da “espécie de muro de Berlim” que dividia a esquerda e elogiou a capacidade de diálogo com o PCP e o BE, realçando que tem como foco os assuntos prioritários para o país.

Afirmando que a direita obteve nestas eleições um “mínimo histórico” de votos, Costa sublinhou que cabe ao PS, enquanto partido responsável, ajudar a encontrar uma solução governativa para o país que rompa com a política de austeridade - desejo que os portugueses “demonstraram” nas eleições -, caso a coligação não garanta estabilidade. “O PS está em melhores condições de formar um Governo estável”, assegurou. Garantiu ainda que o PS não quer ir para o poder a “qualquer preço” e que “nunca sonhou” em ser chefe do Governo: “Só serei primeiro-ministro se houver uma maioria no Parlamento que apoie um Governo liderado por mim”, reforçou.

Confrontado sobre um entendimento à esquerda, o líder socialista disse que terá sempre como base o respeito pelas regras orçamentais e europeias. “Um Governo tem que ter unidade naquilo que importa na execução do seu programa, nem mais uma linha”, disse Costa, lembrando que só assim é que o PSD e o CDS se terão coligado na anterior legislatura.

Negou ainda que o PS tenha escondido aos portugueses uma solução com o BE e o PCP, lembrando que durante a campanha eleitoral defendeu sempre a legitimidade de todos os partidos. E que seria “péssimo para o país, um desastre” ter um Governo de gestão em abril.

Sobre a situação interna do PS, o secretário-geral do partido declarou que não se lembra de haver unanimidade no PS e que as “preocupações de Francisco Assis não têm razão de ser”. Mas cabe aos órgãos do PS decidir, realçou.