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Ferreira Leite. “O que António Costa está a fazer é um verdadeiro golpe de Estado”

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Manuela Ferreira Leite e Mário Centeno (economista que chefiou o grupo de especialistas que tem trabalhado com António Costa no PS) durante a apresentação do livro “Cuidar do Futuro”, da autoria de Pedro Adão e Silva e Mariana Trigo Pereira, em setembro

João Lima

Manuela Ferreira Leite defende que houve uma “reviravolta” na esquerda portuguesa, que é uma “fraude para os eleitores”. A antiga líder do PSD considera que António Costa não tem “nenhum mandato para se aliar à esquerda” e que a interpretação dada aos resultados eleitorais é uma “afronta”

Manuela Ferreira Leite considera que a situação política atual “é verdadeiramente inesperada” e que o país está “em estado de choque”. No seu habitual comentário na TVI24, esta quinta-feira, a antiga líder do PSD afirmou que “o que António Costa está a fazer é um verdadeiro golpe de Estado”.

“As pessoas quando votam no Partido Socialista não é a pensar que estão a votar no Partido Comunista ou no Bloco de Esquerda. A interpretação de que a maioria votou à esquerda é uma interpretação verdadeiramente abusiva”, afirmou. E acrescentou que em causa está uma “fraude eleitoral”.

“O Dr. António Costa, se tinha na sua mente aliar-se ao Partido Comunista e ao Bloco de Esquerda, só tinha legitimidade se tivesse dito isso em campanha eleitoral. Nunca disse tal”, afirmou. “Não tem legitimidade para interpretar os votos deles como um mandato.”

Questionada sobre a percentagem de votos à esquerda, Ferreira Leite refere que “há uma maioria em termos aritméticos”, mas contra-argumenta. “A essa maioria de 50%, contraponho uma maioria de 70% que é contra a extrema-esquerda, que é contra o Partido Comunista e o Bloco de Esquerda.” Ou seja, defende Ferreira Leite, “o doutor António Costa não tem mandato nenhum para se aliar à esquerda”

Na sua opinião, em causa estão também as diferenças nos programas eleitorais do PS, CDU e BE, lembrando que os partidos mais à esquerda “não querem a União Europeia e não querem o Euro”. “Só por diversão intelectual é que podemos admitir que uma coligação entre o PS, PCP e BE é um governo sólido.”

A social-democrata acrescenta ainda que se agora o PCP e o BE estão a transformar as ideias que defendiam, “estão todos a provocar uma fraude eleitoral”. “Não disseram que essa era uma conversa de campanha eleitoral.” E conclui que a “reviravolta na esquerda portuguesa“ é uma “afronta aos eleitores”.

No que diz respeito a um acordo entre a coligação PSD/CDS e o PS, Ferreira Leite defende que nos programas das duas forças políticas “há uma base comum”. E critica o facto de António Costa se ter “entendido” com os programas da esquerda em “alguns minutos” e não ter sido encontrado nenhum ponto em comum entre os programas do PS e da coligação.

Para isso vê duas explicações: “Ou não se entendem de jeito nenhum porque em termos pessoais não se entendem”, considerando que nesse caso é “lastimável” que ponham as questões pessoais acima do país. “Ou olham para os dois programas e não têm nada em comum. E a ser verdade é porque desapareceu o centro, onde está a grande maioria da população, a grande maioria que faz a alternância democrática.”

Ferreira Leite acrescenta: “Se chegarmos a um momento em que há uma coligação de esquerda e em que não houve possibilidade de acordo entre o PS e a coligação, sai tudo mal na fotografia.”

Quanto à decisão que o Presidente da República deverá tomar em breve, Ferreira Leite lembra apenas que “há tempos que [Cavaco Silva] anda a dizer que é necessário um consenso”, sublinhando que já se “previa” que fosse difícil haver uma maioria absoluta.