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Bloco de Esquerda contesta exercício da NATO em Beja

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O partido considera que o exercício é “particularmente inoportuno durante a formação do novo governo”, vendo-o como “um desperdício inadmissível de recursos”. O gabinete do Ministro da Defesa Nacional reagiu, em comunicado, afirmando que o exercício está em preparação desde maio de 2013 e que “não tem qualquer relação com o momento atual”

O Bloco de Esquerda emitiu esta quinta-feira um comunicado, manifestando “profundo desagrado” pela realização de um exercício militar da NATO que terá lugar em Beja entre 3 e 16 de outubro.

“O povo português, já fustigado pela austeridade, dispensa jogos de guerra como o Trident Juncture 2015, um desperdício inadmissível de recursos, particularmente inoportuno durante a formação do novo governo. Portugal é, ao que parece, um país soberano, não é um protetorado da NATO”, afirma o comunicado do Bloco/Beja, citado no “Esquerda.net.

Na sequência dessas declarações, o gabinete do Ministro da Defesa Nacional (MDN) emitiu um comunicado informando que a realização do exercício da NATO em Portugal “está prevista e encontra-se em preparação desde maio de 2013, altura em que Portugal e Espanha, a que se juntou posteriormente Itália, manifestaram vontade de acolher, de forma combinada, o referido exercício”.

O comunicado afirma ainda que “a realização deste exercício não tem qualquer relação com o atual momento de 'formação de um novo Governo', como sugere o Bloco de Esquerda”. De acordo com o gabinete do MDN, este exercício “visa potenciar a contribuição efetiva das Nações e a interoperabilidade das forças, contando com a participação de cerca de 36.000 elementos, de mais de 30 países da Aliança e parceiros”.

O Ministério da Defesa Nacional lembra que Portugal é membro da NATO desde 1949 e defende que “este tipo de posições públicas, de partidos com responsabilidade parlamentar, como é o caso do Bloco de Esquerda, em nada ajudam ou servem os interesses do nacional.”

No comunicado dos bloquistas, é ainda criticada a utilização da aliança militar como “braço armado na disputa imperial” dos Estados Unidos da América com a Rússia, que trouxe “enormes riscos para a paz na Ucrânia, na Síria e que podem alastrar à Turquia, ao Cáucaso e aos Balcãs”.

O Bloco de Esquerda defende a “dissolução da aliança militar”, assim como tem defendido a saída de Portugal da NATO, posições que não são partilhadas com o Partido Socialista, que começou a negociar com os partidos à sua esquerda logo após as eleições legislativas.