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UGT faz “teste à liderança”

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Marcos Borga

Carlos Silva disse que preferia um Governo formado “entre a coligação que venceu as eleições e o PS”. Agora, marcou uma reunião do secretariado nacional da UGT para analisar as consequências da sua intervenção. “É um teste à liderança”, assume ao Expresso o secretário-geral da central sindical, para quem o seu lugar “está sempre à disposição”

Carlos Silva garante que "não houve nem há qualquer confusão interna na UGT". Mas, em nome da clarificação, decidiu convocar um conselho nacional da organização para o próximo dia 23. "É um teste à liderança", assume, acrescentando que "não perdi eleições" e que "o meu lugar está sempre à disposição".

O secretário-geral da central sindical é uma vítima colateral do complicado momento político, que leva o PS a negociar à esquerda e à direita para a possibilidade de formar um novo Governo. Carlos Silva falou ao Expresso diretamente do Brasil, onde se encontra a participar num congresso de sindicatos, sobre a polémica criada em torno das suas declarações à Antena 1, no passado domingo.

Na altura, Carlos Silva assumiu que "seria preferível que a estabilidade governativa assentasse num compromisso entre a coligação que venceu as eleições e o PS". A declaração motivou críticas, mas o sindicalista garante que "foi tudo empolado", porque a posição foi assumida "a título pessoal" e não motivou protestos internos e muito menos ameaças de cisão. "Somos uma central sindical que junta socialistas e sociais-democratas", sublinha, desvalorizando a polémica.

Mas, na verdade, o mal-estar mostrou a necessidade de um esclarecimento interno. Carlos Silva dá o corpo às balas e fica nas mãos do secretariado nacional. Até lá, faz questão de sublinhar que "quem fala em nome da UGT é o seu secretário-geral" e que a central "acaba no dia em que deixar de assumir que é uma força constituída por socialistas e sociais-democratas".