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Rio desiste de Belém: “A partir de uma cidade que não Lisboa, é próximo do impossível”

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Rui Duarte Silva

Rui Rio explica num artigo no “JN” as razões para a desistência. Diz que seria ele o melhor para “garantir estabilidade e sobriedade política”, mas que, depois de Marcelo, poderia parecer “divisionista”. Também concluiu ser uma utopia querer lançar uma candidatura presidencial a partir de fora de Lisboa

Rui Rio desistiu de se candidatar a Presidente da República. As razões para a sua demissão constam de um artigo que o próprio publica na edição do “Jornal de Notícias” desta quinta-feira, onde critica a decisão dos líderes do PSD e do CDS de darem liberdade de voto nas presidenciais de janeiro.

O ex-presidente da Câmara do Porto, que no último ano admitiu seriamente avançar para Belém mas esperou sempre pelo apoio do seu partido, diz que “no contexto das candidaturas já apresentadas” a sua teria as “melhores condições para garantir estabilidade e sobriedade política em Portugal”. Mas acrescenta que isso “só fazia sentido se houvesse a mesma visão dos dois lados”, ou seja, faltou-lhe o apoio dos partidos da sua área política.

Rio acrescenta outra razão, referida, aliás, numa mensagem que enviou aos seus mais próximos apoiantes, na quarta-feira, perto da meia-noite, onde diz ter concluido ser uma “utopia” alguém querer candidatar-se ao lugar cimeiro do Estado sem ser a partir de Lisboa. “Num país profundamente centralizado como Portugal, lançar uma candidatura presidencial vencedora e nacionalmente reconhecida a partir de uma cidade que não a capital do país, é uma tarefa muito próxima do impossível”, escreve no matutino portuense.

Para os seus apoiantes, o erro de Rio foi outro: não ter avançado antes das legislativas. A sua desistência surge seis dias depois de Marcelo Rebelo de Sousa ter anunciado que é candidato e o próprio Rui Rio relaciona as duas coisas quando diz que, caso avançasse agora, a sua candidatura seria “facilmente interpretada como divisionista, senão mesmo como desestabilizadora”. Precisamente para evitar isso, bem tentaram empurrá-lo mais cedo para a corrida.

Antes do verão, Rio chegou a falar com Pedro Passos Coelho, que lhe garantiu não obstaculizar a sua candidatura (Passos preferia-o a Marcelo), mas não o poder apoiar antes das legislativas. Posteriormente, com o apoio quase esmagador das estruturas do PSD a Marcelo Rebelo de Sousa, e com o anúncio do professor de que seria candidato, Rio foi informado de que Passos já não tinha condições para travar Marcelo e apoiá-lo a ele.

Agora, o seu nome é falado nos bastidores da coligação quer para o Governo, quer para a presidência do Tribunal de Contas, deixada vaga pela saída de Guilherme de Oliveira Martins. Mas ainda falta ver se Cavaco Silva chega a dar posse a um Governo de Passos e Portas. O que faria Rio se estivesse em Belém?