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Referendar coligação à esquerda? Assis só vendo dirá o que pensa

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Alberto Frias

Francisco Assis mantém que o melhor para o PS é manter-se na oposição dada as diferenças insanáveis com os partidos mais à esquerda, mas em caso algum defende um congresso extraordinário do PS antes das presidenciais

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

Depois de ao início da tarde ter repetido, em declarações à SIC, que as diferenças entre o PS e os partidos mais à esquerda são insanáveis, Francisco Assis recusou-se a comentar o ultimato de Passos Coelho de que não voltaria a reuniões de faz de conta com António Costa.

“Não vou fazer nenhuma consideração sobre o processo de negociações. O PS está a participar num processo negocial que a direção nacional considera o mais conveniente. Toda a gente já conhece a minha posição e não vou falar mais sobre isso”, afirmou o eurodeputado após a sua intervenção sobre a crise europeia dos refugiados no 104º aniversário da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto.

De partida para Lisboa, onde, esta quarta-feira à noite, será o convidado da Grande Entrevista à RTP, Francisco Assis sublinhou que o crucial neste momento é que as negociações tenham um desfecho rápido e que o país tenha um governo no mais curto prazo de tempo.

Apesar da prudência e de garantir desconhecer qual vai ser o epílogo das rondas negociais de António Costa, Assis mantém que a melhor solução para os interesses Partido Socialista e para o país passa pelo “PS assumir a liderança da oposição e mostrar disponibilidade a partir do seu lugar no parlamento para falar, quer com o governo da coligação quer com os partidos colocados à esquerda”.

Assis também se escusou a comentar se o PS deve referendar ou não uma eventual coligação com o BE e com o PCP: “Se vier a acontecer, então direi o que penso”. Em caso algum admite, contudo, a realização de um congresso antes das presidenciais, insistindo que a discussão da liderança do partido é, neste momento, extemporânea.

“A liderança não é questão que se ponha na vida do PS, que deve canalizar as energias para eleger um Presidente da República da nossa ideologia e só depois fazer um congresso normal, nem sequer extraordinário”, observou, antes de admitir que o PS está dividido. “É natural [que assim seja] quando se colocam pontos de vista sobre se como viabilizar o próximo governo.”

A cisão não é porém encarada como dramática por Assis, que lembra que no PS os seus dirigentes são suficientemente maduros para respeitar a decisão final.

Questionado de novo se estará disponível para entrar numa possível corrida a secretário-geral, o candidato que enfrentou - e perdeu - Seguro frisou que “o partido e o país têm outros problemas”, dizendo que não quer alimentar “tabu nenhum”.

O risco do PS de se desfragmentar é um cenário que para Francisco Assis nem sequer se coloca, sublinhando que o PS é um partido habituado a enfrentar dificuldades, razão por que refuta que possa correr o risco de um cenário idêntico ao do PASOK. “Só quem não sabe nada do que se passou na Grécia nos últimos anos é que pode fazer comparações destas. Não há semelhança possível entre o que se passou com o PASOK e o PS, nem com a situação portuguesa e a da Grécia.”