Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

BE pede ao Governo português que proteja Luaty Beirão

  • 333

Marcos Borga

Catarina Martins apelou à atenção do primeiro-ministro para o caso do ativista luso-angolano, que está em greve de fome há 23 dias e “preso sem que se perceba porquê”

A porta-voz do BE abordou esta quarta-feira a situação da detenção do ativista luso-angolano Luaty Beirão, em greve de fome há mais de 20 dias, desejando que Portugal defenda a liberdade de expressão e os direitos humanos.

Catarina Martins falava aos jornalistas após reunião na residência oficial do primeiro-ministro, Passos Coelho, para preparar o Conselho Europeu sobre a crise de refugiados, quinta e sexta-feira, em Bruxelas.

"O primeiro-ministro diz que está a ser acompanhada a situação a nível diplomático. Não se comprometeu com mais. Espero que o Governo português seja capaz de proteger este cidadão e de que Portugal seja capaz de ter uma voz forte de defesa da liberdade de expressão e dos direitos humanos", afirmou a dirigente bloquista.

Catarina Martins recordou que "Luaty Beirão está no seu 23.º dia de greve de fome, preso sem que se perceba porquê", e sugeriu que "o único crime parece ser mesmo a liberdade de expressão".

"Este cidadão tem de ser protegido. Estão em causa direitos humanos, a liberdade de expressão e a vida de Luaty Beirão", continuou, sublinhando que "o regime angolano respondeu de uma forma muito violenta e prendeu estes jovens sem nenhuma acusação".

Luaty Beirão, de 33 anos, é um dos 15 detidos desde junho por suspeita de preparação de um golpe de Estado e que cumpe uma greve de fome, em protesto, há 24 dias.

Um grupo de 17 jovens - duas em liberdade provisória - foram acusados formalmente, desde 16 de setembro passado, de preparar uma rebelião e atentado contra o Presidente angolano, mas sem que haja uma decisão do tribunal de Luanda sobre a prorrogação da prisão preventiva em que se encontram.

Sobre o problema da imigração humanitária ou económica para a Europa, a porta-voz do BE alertou para a necessidade da abertura de "corredores" específicos, tendo em conta os movimentos calculados de cerca de 100 mil crianças, "neste momento na Europa, sem qualquer apoio".

"A União Europeia tem de rever a sua política para com os refugiados e toda a região do Médio Oriente", destacou, salientando a "obrigação de acolher". "A nossa preocupação é uma resposta humanitária rápida e, ao mesmo tempo, a alteração das regras da União Europeia para que não volte a acontecer o que está a acontecer e nos envergonha a todos", reforçou.