Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

Costa “insatisfeito” dá nova oportunidade à coligação

  • 333

Nuno Botelho

Depois de uma reunião inconclusiva, o líder socialista avisa que já “não há muito tempo” e que “há nada pior do que a incerteza”, mas ao mesmo tempo garante que não deixará o “país cair num pântano”. António Costa sublinha que mantém um ”esforço de diálogo” e que agora vai responder por escrito à coligação para que “tenha mais uma oportunidade para poder ponderar”

Bernardo Ferrão

Bernardo Ferrão

Subdiretor da SIC

António Costa é claro: o documento enviado pela coligação para o Largo do Rato não só "não traduz um esforço suficiente" como tem também "lacunas graves quanto à política de emprego e luta contra a precariedade" - como a "ausência de informação indispensável do suporte financeiro das medidas apresentadas".

À saída de uma reunião de duas horas com a equipa negocial da coligação liderada por Pedro Passos Coelho e Paulo Portas, e dadas as divergências, o líder socialista transmitiu a sua "insatisfação" e "desilusão com a insuficiência do documento apresentado".

Num tom muito crítico sobre o "documento facilitador de um compromisso" - marcado pela inexistência de "medidas de reorientação de políticas que permitam melhorar a vida dos portugueses e virar a página da austeridade" -, Costa diz que não encontrou nas propostas da direita o que considera serem prioridades: o IRS (alterar os escalões) e a luta contra a pobreza infantil.

Ainda assim, o líder socialista lembrou que mantém o "esforço de diálogo" mas também avisou que "não temos muito tempo e é muito importante para o país e para os agentes económicos e investidores que se encontre estabilidade. Não há nada pior que a incerteza". E deixou a garantia: "Não deixarei o país cair no pântano".

Mas a conversa entre os dois blocos não acaba aqui. O líder socialista explicou que "vai responder por escrito" a Passos e Portas, repetindo tudo o que lhes disse na reunião, "para que a coligação tenha mais uma oportunidade para poder ponderar se efetivamente pode criar melhores condições de governabilidade do que aquelas de que dispõe".

Nas respostas aos jornalistas, Costa quis ainda dizer que "não está a ser negociado nem o seu cargo nem os interesses do PS", mas sim os interesses dos portugueses. E que os socialistas "não podem fazer mais do que temos feito". Agora, defende, é a coligação que tem de perceber que "perdeu a maioria e hoje deve ter a humildade de voltar governar nestas novas condições".

Sobre as negociações com o BE e com o PCP, Costa reconheceu "que o caminho não é fácil" e que as divergências "requerem trabalho técnico".