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Costa diz que está mais bem colocado do que a direita para formar Governo

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Marcos Borga

Em entrevista à Reuters, o líder socialista sublinha que esta é a primeira vez que “a direita portuguesa não consegue por si viabilizar uma solução de Governo no Parlamento”. Sobre os partidos à esquerda do PS, declara que “o muro de Berlim caiu”

O líder do Partido Socialista declarou esta terça-feira, em entrevista à Reuters, que as eleições de dia 4 de outubro demonstraram uma vontade de mudança política que “o PS está em melhores condições de conduzir” do que a coligação de direita. Para Costa, o crescimento das forças de esquerda acabou por “colocar o PS como o maior partido português”.

Sobre os resultados das últimas eleições legislativas, António Costa recorda que este foi o “segundo pior resultado eleitoral da história da direita” em Portugal e que os resultados atribuem ao PS a responsabilidade de não inviabilizar um Governo sem que haja uma alternativa. Por isso, afirma Costa, as negociações com os partidos à esquerda visam criar “condições para que possa haver um Governo estável, credível e consistente nos próximos quatro anos”, como “tem insistido o Presidente da República”.

O dirigente socialista sublinha os progressos que estão a ter lugar nas negociações à esquerda. “Os resquícios do muro de Berlim que tinham subsistido em Portugal caíram”, afirma, referindo-se aos avanços nas negociações com Bloco de Esquerda e PCP. No entanto, há uma linha vermelha clara: “O PS é o partido português mais pró-europeu desde sempre e para sempre” : e portanto os compromissos europeus e internacionais de Portugal “não estão em causa, nem isso está a ser objeto de negociação”. E voltou também a relembrar que o Bloco de Esquerda já deixou cair a questão da renegociação da dívida, um dos temas que marcaram a campanha do partido de Catarina Martins.

Questionado sobre sobre as conversações com a coligação de direita, Costa foi parco em palavras: “Mantemos o que tem sido a nossa posição de falar com todos, com inteira franqueza e boa fé”. No entanto, avisa que o PS não vai colocar-se na posição “cínica” de “dar oportunidade à coligação de constituir Governo e ficar calmamente à espera da melhor oportunidade para os derrubar”.

Em relação ao documento facilitador de acordos que a coligação enviou ao PS na tarde deste segunda-feira - e que inclui vinte medidas que vão ao encontro das propostas socialistas -, o líder socialista diz apenas que “o documento apresentado não corresponde àquillo que tem sido divulgado pela imprensa”, deixando outras apreciações para a reunião desta tarde com PSD e CDS, desta vez no Largo do Rato.

Quanto à posição dos militantes socialistas sobre as alianças à esquerda ou à direita, Costa afirma que o PS é “um partido com grande pluralidade interna”, em que “poucas decisões são tomadas por unanimidade”. No entanto, afiança que o Partido Socialista consegue garantir estabilidade política “no curto prazo”, distinguindo-se assim do “insucesso dos esforços da coligação”.

Apesar de já estar a trabalhar numa segunda ronda de negociações com os partidos mais à esquerda, Costa esclarece que “não há neste momento nenhum acordo fechado”. “As propostas são conhecidas e exigem muito trabalho”, já que, estando o ponto do enquadramento na zona euro esclarecido, “todos os outros temas requerem obviamente negociações”.

António Costa já se encontrou com todos os partidos com assento parlamentar, assim como com o Presidente da República. No entanto, se por um lado considerou a primeira reunião com a coligação de direita “inconclusiva”, os encontros com Bloco de Esquerda e PCP foram descritos como positivos e produtivos. A segunda ronda de negociações com PSD e CDS está marcada para esta terça-feira, às 18h, na sede dos socialistas.

[Texto atualizado às 16h36]