Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

Costa quer ter “uma posição consolidada” até ao final da semana

  • 333

Marcos Borga

Líder do PS já se reuniu com Cavaco. À saída disse que “todos temos estado a trabalhar na plataforma de um Governo” e destacou o “esforço de aproximação” da esquerda. Quanto à reação do PR, diz que não é “médico para medir o pulso” de Cavaco

Depois de quase duas horas de reunião com o Presidente da República, António Costa definiu pela primeira vez um prazo para o fim das negociações em curso. “Gostava de ter uma posição consolidada até ao final da semana”, afirmou o líder socialista aos jornalistas à saída da reunião com Cavaco Silva, no Palácio de Belém.

Também pela primeira vez usou a expressão “plataforma de Governo”, referindo-se às conversações que tem tido com os partidos à sua esquerda. “Tive a ocasião de informar o Presidente da República do conjunto de contactos que tenho mantido com as diversas forças políticas com representação na Assembleia da República”, disse António Costa.

“Todos temos estado a trabalhar não no programa de cada um dos partidos, mas a trabalhar naquilo que importa, naquilo que possa ser a plataforma de Governo, que é essencial saber do que consta”, acrescentou.

O líder socialista destacou a “humildade” e o “esforço de aproximação” das forças políticas de esquerda, condições essenciais para a formação de um Executivo alternativo. “Há a clara distinção do que são os programas partidários e as condições mínimas necessárias para viabilizar o Governo”, disse Costa, referindo-se aos encontros que tem mantido com os partidos à sua esquerda.

António Costa sublinhou ainda que teve oportunidade de chamar a atenção do chefe de Estado sobre a necessidade de se formar um Governo “estável”, “consistente” e “credível”, que leve a cabo uma mudança política, considerando ser esse o desejo da maioria dos portugueses.

Marcos Borga

Garantindo que o PS é um “partido responsável”, Costa reiterou que o objetivo do Partido Socialista não é formar um governo alternativo sem criar condições para isso. É preciso criar um Executivo, defende o líder socialista, que corresponda às necessidades do país e que garanta nomeadamente uma “viragem da política de austeridade” e o “respeito pelos compromissos internacionais”, tendo em conta o quadro da união económica e monetária.

Questionado sobre a recetividade do Chefe de Estado para aprovar um Governo alternativo, Costa recusou-se a avaliar a posição de Cavaco Silva e disse ser prematuro retirar conclusões do encontro. “Eu não sou médico, nem enfermeiro para medir o pulso do Presidente da República, nem avaliar as posições do Presidente da República. Aquilo que tive oportunidade de esclarecer o sr. Presidente da República é aquilo que tenho dito repetidas vezes aos portugueses, na própria noite eleitoral - a necessidade de uma mudança política.”

Confrontado sobre o “documento facilitador de um compromisso” enviado esta tarde pela coligação para o PS, Costa disse apenas que ainda não leu o conteúdo.