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Costa adia comissão política do PS por atraso na receção das propostas do PSD e CDS

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António Costa, ladeado por Carlos César e Ana Catarina Mendes, durante a reunião da Comissão Política Nacional do PS para discutir os resultados das legislativas

MIGUEL A. LOPES / Lusa

Sobre o método interno que seguirá até que o PS tome uma decisão sobre qual o tipo de Governo que defenderá no novo quadro parlamentar, António Costa diz que recebeu um mandato para dialogar com todas as forças políticas do novo quadro parlamentar

O secretário-geral do PS afirmou esta tarde que a Comissão Política do seu partido não se realizará esta terça-feira, porque ainda não foram entregues as propostas da coligação PSD/CDS para a viabilização do programa de Governo.

António Costa falava aos jornalistas após ter estado reunido com o Bloco de Esquerda, na sede nacional dos bloquistas, numa declaração em que remeteu para a Comissão Política do PS uma eventual consulta alargada entre os socialistas quando tiver de propor ao seu partido uma decisão sobre a formação do novo Governo.

"Cheguei mesmo a pensar que essa reunião [da Comissão Política Nacional do PS] pudesse ter lugar já na terça-feira, mas neste momento penso que não há condições para o fazer, visto que a coligação PSD/CDS ainda não nos enviou os documentos que ficou de enviar", declarou o líder socialista, numa alusão ao facto de o PS ter ficado com a expectativa de que as propostas conjuntas de sociais-democratas e populares seriam entregues até domingo.

António Costa referiu depois ter indicação de que a coligação PSD/CDS enviará da parte da tarde de hoje essas propostas ao PS. "Mas [na terça-feira] ainda não estamos em condições de fazer uma avaliação final" sobre os resultados das reuniões realizadas com as diferentes forças políticas, reforçou.

Sobre o método interno que seguirá até que o PS tome uma decisão sobre qual o tipo de Governo que defenderá no novo quadro parlamentar, António Costa frisou que recebeu um mandato da Comissão Política do seu partido para dialogar com todas as forças políticas do novo quadro parlamentar.

"Quando estivermos em condições de dar por concluído este trabalho e quando estivermos em condições de poder fazer a avaliação das condições que existem, então convocarei a Comissão Política do PS para que proceda à sua análise e determine os caminhos a prosseguir", respondeu.

Perante a insistência dos jornalistas sobre a possibilidade de ser convocado um referendo interno quando o PS se inclinar para uma solução de Governo - ou a formação de um Executivo com o suporte do PCP e Bloco de Esquerda, ou viabilização de um Governo PSD/CDS -, Costa considerou que, "neste momento, é prematuro dizer qual a forma que se revestirá a tomada de decisão do PS".

"É seguro de dizer que, assim que esteja concluído o meu mandato - procedendo aos contactos com todas as forças políticas e com o trabalho complementar que se afigura necessário - e quando estiver em condições de avaliar quais as melhores soluções para assegurar um Governo estável e que garanta a mudança política que os portugueses votaram nas urnas, transmiti-lo-ei à Comissão Política do PS", disse.

Após isso, e segundo António Costa, então este órgão nacional dos socialistas "avaliará a proposta e também se pronunciará se entender que há outras formas mais alargadas de validar a posição do PS, se tal se afigurar necessário". Ou seja, a Comissão Política Nacional do PS decidirá se toma uma deliberação definitiva, ou se remete a decisão para um quadro de apreciação mais alargado, eventualmente através de referendo interno.

Nas declarações que fez aos jornalistas, o secretário-geral do PS reiterou ainda a sua recusa em chumbar um programa de Governo da coligação PSD/CDS, sem ao mesmo tempo ter assegurado um executivo alternativo. "Não podemos votar as moções de rejeição já anunciadas [PCP e Bloco de Esquerda] sem que haja condições alternativas para a formação de um Governo. Os contactos com o PCP, BE e PEV têm permitido criar condições para avaliar a formação de um Governo alternativo, [mas] é prematuro dizer que há condições para que esse acordo possa ser possível", acrescentou.