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As exigências do BE para o encontro com Costa

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Nuno Botelho

Bloco de Esquerda proporá no encontro desta manhã com o PS iniciativas legislativas conjuntas, abertas ao PCP

Além de medidas de política económica e social tendentes a integrar um programa de Governo do PS, parte das quais foram repetidas durante a campanha eleitoral, esta segunda-feira quando António Costa for recebido na sede do Bloco de Esquerda, em Lisboa, ouvirá de Catarina Martins uma “lista de propostas políticas” que os bloquistas gostariam de ver “convertidas em iniciativas legislativas conjuntas”.

A afirmação é de Jorge Costa, membro da comissão política do Bloco. Sem querer abrir o jogo, o também deputado eleito por Lisboa reconhece que à cabeça desse “elenco de iniciativas” estará uma novo projeto sobre a lei do aborto (propósito que, aliás, faz o pleno dos partidos de esquerda, como já foi afirmado pelos respetivos líderes). A avaliar por algumas das ideias mais defendidas na campanha do Bloco, a questão da precariedade e dos contratos a prazo também deverá fazer parte do rol de propostas.

“O nosso objetivo é que a base política que impede um Governo de direita possa convergir”, afirma Jorge Costa. O dirigente do BE esclarece que as iniciativas legislativas conjuntas deverão ser subscritas “desejavelmente a três”, incluindo também o PCP (partido com o qual o Bloco não tem ainda previsto qualquer encontro).

Rutura com a austeridade

Entre as medidas de política económica e social que o Bloco fará esta segunda-feira ao PS há três já conhecidas da opinião pública. No debate televisivo com António Costa, Catarina Martins apresentou as três condições do BE para encetar o processo de viabilização de um Governo socialista. Não se trata da “luz verde” a um Executivo do PS, mas antes os requisitos para um “princípio de conversa”, como lembra Jorge Costa.

O BE espera que o PS desista do congelamento de pensões para um período de quatro anos (o que retiraria dos bolsos dos reformados 1660 milhões de euros), que recue na intenção de baixar a TSU das empresas e que abandone a ideia do “despedimento conciliatório”. A nenhuma destas propostas, apesar de reptos sucessivos, já para lá da noite eleitoral, Costa deu até agora algum tipo de resposta.

Outras propostas de política económica e social, com vista à sua integração num programa de Governo, serão avançadas pelo Bloco na reunião desta segunda-feira. Segundo Jorge Costa, o BE está apostado em contribuir para a “constituição de um Governo que rompa com a austeridade e que tenha apoios à esquerda”. Para os bloquistas (como de resto também o disse Jerónimo de Sousa após a reunião com António Costa) em caso de uma moção de rejeição da direita a um Governo socialista o voto do BE será sempre para segurar esse Executivo.

Em relação à fórmula de um eventual acordo à esquerda (acordos de incidência parlamentar ou participação no Governo), o dirigente do Bloco considera a questão prematura. “Na fase em que estamos, o que interessa é o debate dos conteúdos do programa do Governo e das grandes opções de política orçamental”.

Belém, a 18 de outubro, Pureza ‘vice’ do Parlamento

Só na Mesa Nacional a realizar no domingo do próximo fim de semana, dia 18, é que o BE tomará uma decisão sobre o candidato presidencial. O dossiê da corrida a Belém foi calendarizado, já há meses, para depois das eleições legislativas, mas nesta semana, com as conversações relativas a um novo Governo, o assunto “não foi uma prioridade” para os bloquistas, reconhece Jorge Costa.

No início do ano, quando Manuel Carvalho da Silva ainda estava na corrida a Belém, o ex-líder da CGTP era o preferido de muitas correntes dentro do Bloco. Por essa altura, segundo responsáveis do BE, a apresentação de candidatura própria era vista como “uma solução de recurso”. Mas desde então o quadro político mudou.

Entretanto, como terceiro partido parlamentar, o BE terá direito a assumir um dos lugares de n.º 2 do Parlamento (um cargo já ocupado entre 2009 e 2011, por Luís Fazenda). Na próxima legislatura a escolha do BE para a vice-presidência é José Manuel Pureza, eleito por Coimbra. Um regresso a São Bento, onde já foi líder parlamentar dos bloquistas, entre 2009 e 2011.

[Texto publicado na edição do Expresso de 10/10(2016]