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Marques Mendes. “Se Costa alinhar num governo de esquerda é um suicídio para ele e para o PS”

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Marques Mendes comenta a atualidade política no Jornal da Noite da SIC

D.R.

Ex-líder do PSD diz que um acordo à esquerda poderia ser visto como “batota política”, mas também critica a coligação por não ter apresentado propostas na reunião com o PS. Mendes também aproveitou para lançar um nome inesperado para o Tribunal de Contas: Rui Rio

“Um vazio total”. Foi assim que António Costa descreveu a reunião com a coligação, como titula hoje o Expresso. Vazio que Marques Mendes confirmou, esta noite, no seu espaço de comentário na SIC. “Acho que teria sido mais razoável, construtivo e positivo que a coligação tivesse chegado à reunião com propostas em concreto”, disse o ex-líder do PSD. “Não sei por que razão não o fez. Eu teria feito de outra maneira”, confessou.

Marques Mendes criticou os “joguinhos partidários” da política nacional e disse que o melhor para o país, neste momento, é “um Governo a três”. Com PSD, CDS e PS, bem entendido (“os programas são perfeitamente casáveis”), uma vez que o comentador não vê com bons olhos a constituição de um Governo de esquerda. “O PCP escancarou a porta e o BE acho que também vai fazê-lo”, disse. “Mas aos olhos das pessoas pode ser visto como batota política”, acrescentou. “Goste-se ou não, Passos Coelho ganhou. As eleições fizeram-se para alguém ganhar e alguém perder”.

Apesar de ser comentador político, foi com um argumento futebolístico que Mendes quis explicar a situação: os adversários de Portugal na qualificação para o Euro-2016 também não podem juntar os pontos e tirar à seleção o 1º lugar que conquistou, considerou. “Os três partidos [de esquerda] têm divergências enormes. É uma maioria aritmética, mas não é estável e coerente. Se António Costa alinhar nisso é um suicídio para ele e para o PS”, afirmou, ressalvando as “divisões” que essa possibilidade estará a criar, apontando como exemplo a demissão de Sérgio Sousa Pinto.

Relativamente às presidenciais, Marques Mendes elogiou “o amigo” Marcelo Rebelo de Sousa, que se “antecipou a tudo e a todos” para apresentar uma candidatura “diferente” à presidência. “Por ser em Celorico, por ter um discurso intimista e por não estarem presentes notáveis. Foi sem show off”, explicou.

Quem não terá gostado da apresentação de Marcelo terá sido Rui Rio, que vê assim a sua própria candidatura ficar condicionada, disse Mendes. “Se aparecer agora vai aparecer como divisor”, considerou, antes de acrescentar que vê Rio com “qualidades” para ser o novo presidente do Tribunal de Contas, após a saída de Oliveira Martins. É uma notícia como aquelas que Mendes por vezes adianta em primeira mão? Não, respondeu o comentador: “É só um palpite”.