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Passos. “Teremos uma segunda reunião com o PS mais atrevida”

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Tiago Miranda

Passos Coelho trocou o “bastante inconclusivo” de António Costa por '“inteiramente recetivos'”. Mas reconhece que não tendo o PS apresentado propostas nas três horas de reunião, terá que haver uma segunda conversa. “Não colocámos linhas vermelhas”, garantiu o PM, que até se mostrou aberto a discutir a composição do Governo. Costa terá vetado qualquer ideia de plafonamento das pensões

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

Jornalista da secção Política

Foi inconclusiva a primeira reunião entre as direções da coligação e do PS. Pedro Passos Coelho preferiu enfatizar a recetividade - ''estamos inteiramente recetivos'' - e não o impasse - Costa tinha classificado a reunião de ''bastante inconclusiva''. Mas confirmou que terá que haver ''uma segunda reunião'' e prometeu ''um exercício mas atrevido''.

Desta vez, o PS não levou propostas, coisa que Passos Coelho considerou ''um exercício menos normal''. Na sua opinião, tendo a coligação ganho as eleições, o normal seria ''mostrar abertura'' às propostas do Partido Socialista e ''não fazer escolhas sobre o que o PS acha importante''. Não foi o que aconteceu.

A linha vermelha do PS: plafonamento

Passos garantiu que a coligação ''não coloca linhas vermelhas'', mas acabou por indicar uma linha inegociável: ''Não podemos deixar de respeitar as regras e condições de um Estado membro da União Europeia e da zona euro. (...) Não aceitaremos não cumprir as obrigações europeias", insistiu.

Mais: para além dois compromissos europeus (Passos salientou os limites ao défice), o líder da coigação considerou que seria "bizarro" se no final desta negociação o programa do PS se impusesse ao da coligação. "O natural é que a base seja o nosso programa".

Pelo lado do PS, Passos Coelho adiantou que foi traçada uma única linha vermelha por António Costa: "Disse que não aceita qualquer medida de plafonamento [das pensões], seja horizontal, seja vertical". Outros vetos, diz Passos, não houve. "Isso pareceu-me bastante construtivo".

Negociar tudo, até o Governo

Passos Coelho reafirmou a sua "total abertura" a negociar tudo com o PS. Não apenas o programa do Governo e o Orçamento do Estado (cuja aprovação deve, em contrapartida, ser garantidas pelos socialistas), mas até o futuro Governo. O líder da coligação mostrou abertura a negociar com Costa tudo o que está em aberto: "A composição ou formação do Governo, lugares na Assembleia da República, o programa do Governo e o Orçamento do Estado".

"Não excluímos nenhuma solução que entendam colocar-nos como importante ou fundamental", assegurou Passos Coelho. Ao seu lado, em silêncio, Paulo Portas sorriu e anuiu a tudo.