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Passos disponível para acelerar devolução de salários e da sobretaxa do IRS

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Tiago Miranda

Passos diz que transmitiu esta disponibilidade ao PS. “Se for possível fazer uma restituição mais rápida, não deixaremos de o fazer, porque não temos nenhum gosto em que essas medidas continuem em vigor”, diz o presidente do PSD

Para chegar a acordo com o PS, o presidente do PSD admitiu esta sexta-feira acelerar a restituição dos salários no sector público e a remoção da sobretaxa em sede de IRS, desde que sejam respeitadas as metas orçamentais.

"Eu tive ocasião de transmitir à equipa e ao [secretário-geral do PS] doutor António Costa que estamos totalmente disponíveis para poder reanalisar essas matérias. Não haja dúvidas para ninguém de que, se for possível fazer uma restituição mais rápida dos salários e se for possível fazer uma remoção mais rápida da sobretaxa, não deixaremos de o fazer, porque não temos nenhum gosto em que essas medidas continuem em vigor", afirmou Pedro Passos Coelho.

Em declarações aos jornalistas, no final de um encontro entre PSD, CDS e PS, na sede dos sociais-democratas, em Lisboa, Passos Coelho salientou, contudo, que essas medidas de austeridade estão em vigor para assegurar o cumprimento das metas orçamentais, acrescentando: "Portanto, estamos disponíveis para nos aproximarmos do PS, desde que estes objetivos sejam cumpridos".

"Estando disponíveis para acertar outros ritmos de reposição de rendimentos, teremos de os compensar face àquilo que é a informação disponível com outro tipo de medidas que nos mantenham num défice abaixo de 3%. Ora, sobre isto o PS não apresentou nenhuma proposta, mas estamos inteiramente disponíveis para poder trabalhar", esclareceu.

Por outro lado, Passos disse aos jornalistas ter deduzido da conversa com Costa que o PS deixou cair a ideia de reduzir temporariamente as contribuições para a Segurança Social, que designou de "plafonamento vertical". O primeiro-ministro disse que António Costa "foi explícito" na objeção à "medida de plafonamento na Segurança Social" contida no programa da coligação PSD/CDS.

"Isso já era conhecido. Foi, no entanto, um bocadinho mais longe dizendo que não aceitava mesmo qualquer medida de plafonamento, fosse horizontal ou vertical - que é uma coisa que os portugueses não sabem, mas que basicamente respeita, uma a uma proposta que a coligação fez, e outra a uma proposta que o próprio PS fez. Portanto, deduzo que haja uma proposta do PS que o PS já deixou cair", acrescentou.

Segundo Passos Coelho, para além do "plafonamento na Segurança Social" o PS não manifestou oposição a outras medidas do programa eleitoral da coligação neste encontro, o que considerou ser "bastante construtivo".

Nesta reunião, que durou perto de três horas, estiveram presentes os presidentes do PSD, Passos Coelho, do CDS, Paulo Portas, e o secretário-geral do PS, António Costa, além de outros dirigentes destes três partidos.