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Marcelo na terra da avó Joaquina

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Começou a pré-campanha: Marcelo já distribui afetos

Rui Duarte Silva

À saída como à chegada, Marcelo Rebelo de Sousa teve em Celorico um primeiro esboço do que poderá vir a ser a campanha eleitoral. Nada que não conheça. Beijos. Abraços. Incentivos. Pessoas que vêm de longe para o abraçar. Raparigas tímidas que querem um beijo, mas não ousam avançar. O professor e agora ex-comentador está oficialmente na corrida a Belém

Sem multidões e sem figuras públicas. Sem notáveis ou candidatos a notáveis. Sem uma corte ansiosa por se mostrar. Sem amigos próximos ou distanciados. Sem claque. Sem arroubos solenes ou ambições de grandiosidade. Apenas alguns jornalistas pela frente e o apoio de um discurso escrito em sete folhas A4 num tipo de letra Futura e corpo 16. Apenas umas duas dezenas de curiosos locais e espontâneos vindos de localidades próximas. Apenas um ou outro autarca da região. Apenas uma pequena sala no mais improvável dos locais, pelo menos na aparência.

Foi assim, de repente, com a divulgação feita escassas horas antes e com o objetivo declarado de evitar as aberturas dos telejornais, que Marcelo Rebelo de Sousa compareceu às 18 horas de hoje em Celorico de Basto no auditório com o seu nome, inaugurado há escassos 15 dias, para anunciar uma das decisões mais importantes da sua vida. Será candidato à Presidência da República.

Já se esperava, dir-se-á. Mas faltava o anúncio formal. A palavra certa. Sabia-se à partida que seria uma comunicação sem direito a perguntas. Mas Marcelo é Marcelo. Uma personagem única da vida política portuguesa, seja qual for o ângulo pelo qual se queira analisá-lo. E são muitos e multifacetados os ângulos possíveis. Enquanto aguardava o sinal verde das televisões para iniciar a sua comunicação, não resistiu a dois dedos de conversa com os jornalistas num espaço que poucos saberão o quanto lhe deve.

Passa por aí outra das idiossincrasias de Marcelo Rebelo de Sousa. Onde muitos verão tão só um ato diletante, pelo que parece conter de extravagante a escolha do local onde é anunciada uma fortíssima candidatura ao mais alto cargo da nação, está contida uma decisão em tudo coerente com o que têm sido os últimos 14 anos da vida do agora candidato.

Rui Duarte Silva

Uma paixão chamada Celorico

Fez de Celorico de Basto, onde exerceu o cargo de presidente da Assembleia Municipal, uma verdadeira paixão. Será uma homenagem aos seus antepassados. A avó Joaquina era de Gandarela, no norte do concelho, mais precisamente de São Clemente, a mesma terra de D. António Ribeiro, antigo cardeal patriarca de Lisboa, que, de resto, tem uma estátua no centro da vila.

Fátima Cunha é a jovem diretora da Biblioteca Municipal, que já teve de ser ampliada duas vezes por causa das doações do professor. Orienta-nos, com visível satisfação, numa curta visita guiada aos diferentes núcleos, a começar pelo valioso Centro Documental e Bibliográfico Professor Doutor Marcelo Rebelo de Sousa. Numa sala, inúmeras quadros a óleo e acrílico com retratos de Marcelo ou do pai.

A Biblioteca foi inicialmente construída de modo a poder albergar um máximo de 25 mil títulos. Neste momento já tem mais de 80 mil e a última ampliação assegurou-lhe depósitos com capacidade para 300 mil títulos. Graças às constantes ofertas do professor há ali um valioso centro de documentação na área do Direito, com livros raros e alguns muito antigos.

A Biblioteca de Celorico deve ser aquela onde as últimas novidades editoriais estão mais rapidamente disponíveis. Em cada 15 dias uma carrinha da Câmara Municipal ruma a sul, até a casa do até agora comentador televisivo, para se abastecer de livros. Regressa sempre carregada.

Rui Duarte Silva

A relação com a televisão é outro dado a ter em conta. Acabaram os comentários. Disse-o Marcelo enquanto esperava que as câmaras televisivas entrassem em ação. O fim do muito visto comentário televisivo dos domingos à noite tem efeitos imediatos, como decorre dos termos contratuais assinados com a TVI.

À saída, como à chegada, Marcelo teve um primeiro esboço do que poderá vir a ser a campanha eleitoral. Nada que não conheça. Beijos. Abraços. Incentivos. Pessoas que vêm de longe para o abraçar. Raparigas tímidas que querem um beijo, mas não ousam avançar. A habitual fornecedora de marmelada a aproveitar para comunicar que está mais uma encomenda pronta.

E Marcelo sempre com um sorriso. E Marcelo sempre a acenar. E Marcelo sempre com os jornalistas atrás. E Marcelo a dirigir-se para o carro. E Marcelo a iniciar uma nova viagem. Durará meses? Durará anos? Como ele próprio disse, o povo decidirá.

Rui Duarte Silva

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