Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

Marcelo: “É meu dever pagar ao país o que dele recebi”

  • 333

Rui Duarte Silva

Marcelo Rebelo de Sousa justificou a decidão de de se candidatar à presidência da República com o dever moral de pagar ao país o que dele recebeu. “É tempo de pagar esta dívida”

“Professor por vocação, comunicador por paixão, pai de dois filhos, avô de cinco netos.” Foi assim que começou por se apresentar, esta sexta-feira em Celorico de Basto, o agora candidato à Presidência da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

No pequeno auditório da biblioteca com o seu nome, na presença de dezenas de jornalistas, o “neto de Celorico” - como lhe chamaram alguns populares que por ele esperavam -, começou por passar em revista o seu currículo. Lembrou, por exemplo, que é funcionário público desde os 24 anos e garantiu que nunca trocou "lugares e honorários por independência e liberdade crítica”.

“Essa independência e liberdade, mesmo quando contrariando parentes ou amigos próximos justificaram, porventura, a audiência das minhas intervenções ao longo do tempo”, acrescentou.

Aos 66 anos, o número 3 do PSD, partido que disse ter liderado “no começo de uma difícil travessia”, recordou ainda a contribuição dada para a feitura da Constituição e os cargos desempenhados em diversos municípios (de Cascais a Celorico de Basto) e em Belém, onde foi conselheiro de Estado de dois Presidentes da República.

"Conheço por dentro o poder central e o poder local e até o cargo de Presidente da República, como conselheiro de Estado com dois presidentes e ainda a cena internacional como vice-presidente do principal partido político europeu. Conheço muito bem a constituição que nos rege. Sei qual é nela o papel do Presidente da República", disse Marcelo Rebelo de Sousa.

A fechar a sua intervenção de doze minutos, que leu sozinho no palco com três bandeiras portuguesas em fundo, justificou a entrada na corrida a Belém com o dever de pagar ao país o que dele recebeu.

“Ponderada também a situação nacional à saída das eleições para a Assembleia da República tinha de fazer uma escolha. Ou escolhia a solução que menos punha em causa o que faço com entusiasmo, os projetos pessoais de futuro, e faltava à chamada como alguns garantiam que eu faria, ou escolhia a solução que rompia com posições estáveis, sedutoras desta fase da vida, e pensava mais do que tudo no meu dever de pagar ao país o que dele recebi. O que dele recebi de educação que muitos não puderam ter, o que dele recebi de saúde, de oportunidades de vida, de experiência do Estado, nas autarquias locais, na comunicação social, na participação em cimeiras europeias e no conhecimento de protagonistas da vida internacional", afirmou Rebelo de Sousa.

“É tempo de pagar esta dívida moral. De outro modo, eu sentiria, até ao final dos meus dias o remorso por ter falhado por omissão”, rematou, não permitindo aos jornalistas que fizessem perguntas.