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Ferreira Leite. Coligação entre PS, PCP e BE seria uma aberração

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Alberto Frias

Para a antiga líder dos sociais-democratas, uma coligação entre os socialistas, comunistas e bloquistas seria uma “verdadeira aberração” e poderia ditar a extinção do PS e uma maioria absolutíssima da coligação

Manuela Ferreira Leite não acredita numa coligação de esquerda e, caso isso acontecesse, seria uma “verdadeira aberração”. No habitual espaço de comentário na TVI 24, esta quinta-feira à noite, a antiga líder dos sociais-democratas defendeu ainda que o PS não pode ser incluído na esquerda parlamentar. E explicou porquê.

“A divisão esquerda e direita não é entre PSD e PS. Em termos sociológicos e políticos, a linha de divisão é à esquerda do PS”, disse Ferreira Leite e acrescentou: “Não acredito num entendimento entre PS, PCP e BE. Em termos políticos era uma verdadeira aberração, porque é juntar programas opostos.”

A ex-líder do PSD sublinhou ainda que, ao contrário de Bloco de Esquerda e Partido Comunista que “estão contra tudo”, a contestação do PS “não era no sentido de pôr em causa os objetivos da coligação PSD/CDS" porque em seu entender os dois partidos partilham os mesmos fins mas defendem formas diferentes de lá chegar.

Um acordo entre os partidos liderados por António Costa, Catarina Martins e Jerónimo de Sousa seria na opinião de Manuela Ferreira Leite, “defraudar das expectativas” de quem votou nos socialistas: “Quem votou no PS não foi seguramente a pensar que ia fazer acordo com PCP e Bloco. Isso seria defraudar as expectativas das pessoas. Numa próxima eleição o PS desapareceria do panorama político”.

“Não é uma tragédia” nem “um drama” que um partido não tenha maioria absoluta, disse a antiga ministra de Cavaco Silva, que acredita que as “coisas vão acabar bem e isso implica um entendimento”: “O PS e a coligação PSD/CDS têm de se entender na Assembleia da República”.

E se não se entenderem? Em campanha eleitoral, António Costa garantiu que não viabilizaria o Orçamento de Estado para 2016. Para Ferreira Leite, “as pessoas exageram sempre na campanha”, mas caso os socialistas votem contra, “qualquer dia estaríamos à beira de eleições e a coligação PSD/CDS teria maioria absolutíssima”.