Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

Costa afirma ter “mandato claro” do PS para negociar com todos os partidos

  • 333

José Caria

“O mandato que temos é para falar com o conjunto das forças políticas. Neste quadro parlamentar que é novo e que exige de todos um grande sentido de responsabilidade para o país, vamos avaliar e tentar encontrar boas soluções programáticas para o país”, disse o líder socialista no final da reunião da Comissão Política Nacional do partido

O secretário-geral do PS afirmou na madrugada desta quarta-feira ter um mandato "claro" para iniciar negociações com todos os partidos parlamentares para a formação do novo Governo e vincou que nunca ignoraria as posições do PCP e Bloco de Esquerda.

Estas posições foram assumidas por António Costa no final de quatro horas de reunião da Comissão Política Nacional do PS, que, por ampla maioria, mandatou o secretário-geral socialista para iniciar conversações com todas as forças com representação parlamentar, tendo em vista a formação de um novo Governo.

Segundo Costa, da Comissão Política Nacional do PS resultou "um mandato claro para as negociações que haverá pela frente". "O mandato que temos é para falar com o conjunto das forças políticas. Neste quadro parlamentar que é novo e que exige de todos um grande sentido de responsabilidade para o país, vamos avaliar e tentar encontrar boas soluções programáticas para o país", completou o líder socialista.

Questionado sobre se já falou com o presidente do PSD, Passos Coelho, sobre a formação do novo Governo, o secretário-geral do PS respondeu com um rotundo "não".

Já questionado sobre as condições para haver um Governo entre o PS, o PCP e Bloco de Esquerda, António Costa começou por referir que havendo um partido com mais deputados - o PSD - é natural que lhe incumba o ónus de procurar soluções de governabilidade. "Mas devemos falar com todas as forças políticas sem exceção. É sabido que há muitos meses, entre as deliberações do PS, está a recusa do conceito de arco da governação - um conceito que, negativamente, tenta delimitar quem são as forças políticas que podem participar em soluções governativas", referiu.

Ainda justificando o diálogo à esquerda, Costa afirmou depois que "nunca poderia ser indiferente" a registar as declarações do secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, após as eleições, sobre a necessidade de formação de um Governo de esquerda, nem ignorar que a porta-voz do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, também já depois das eleições, reafirmou as condições para a formação de um Executivo de esquerda.

Já sobre a possibilidade de um bloco bentral PSD/PS, o líder socialista definiu como "pouco saudável" essa fórmula de Governo para a democracia portuguesa, "salvo em situações de emergência". "Acho que esta campanha eleitoral foi clara na diferenciação de propostas entre a coligação de direita e o PS. Há uma enorme distância - e isso seria não cumprir o mandato que os eleitores nos deram", justificou.

A seguir, o secretário-geral do PS frisou que os socialistas terão "sentido de responsabilidade, espírito de diálogo e de compromisso, sabendo que nenhuma forma dispõe de maioria absoluta no parlamento".