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Coligação pisca o olho ao PS. “Seria imperdoável não tirar partido de todos os sacrifícios”

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Alberto Frias

PSD e CDS assinaram acordo de Governo. Líderes dos dois partidos querem um Executivo para quatro anos e piscam os olhos ao PS. “Seria imperdoável que o país não estivesse em condições, agora, de tirar partido de todos os sacrifícios efetuados”, diz Passos

Mafalda Ganhão

Mafalda Ganhão

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Estabilidade, compromisso e responsabilidade democrática. Nas intervenções que assinalaram a assinatura do acordo, na manhã desta quarta-feira, entre o PSD e o CDS para formar Governo, estas foram as expressões mais usadas pelos líderes dos respetivos partidos. Passos Coelho e Paulo Portas manifestaram a sua intenção de cumprir os quatro anos da legislatura, apelando às restantes forças políticas - e em especial ao PS - para colocarem de lado as diferenças e demonstrarem “sentido de Estado”.

Em representação do CDS, Paulo Portas começou por salientar que no seu partido o acordo foi aprovado por “consenso e em reuniões muito participadas”. “Dado o primeiro passo para que Portugal tenha um Governo” e tendo sido cumprido com este acordo “o primeiro compromisso eleitoral”, continuou, “é agora tempo de trabalhar para a estabilidade”.

Para o líder do CDS, o acordo “reflete uma cultura de compromisso” e assume uma “prática de negociação” e “uma política de abertura” que espera virem a ser assumidos pelos demais partidos.

“A cultura de compromisso não é estranha a nenhum país democrático”, afirmou, recordando que nos últimos anos, “mesmo em tempo de maioria foi possível fazer um acordo de concertação social”, outro “para descer o IRS” e conseguiu desbloquear-se “a questão do salário mínimo”.

Encontro com Costa de preferência “ainda esta semana”

Alberto Frias

Passos Coelho, por seu turno - e ainda que tenha afirmado que a ausência de uma maioria parlamentar obriga a todos os partidos “sem exceção” a uma atitude de responsabilidade com vista ao diálogo - fez um apelo mais direto ao PS, salientando ter dirigido já ao seu líder um pedido para reunirem “tão rapidamente quanto possível”. Passos espera que o encontro com António Costa aconteça “ainda esta semana” e que dele resultem “condições para encarar os próximos anos com a estabilidade e confiança que os portugueses desejam”.

Para o líder do PSD, “é fundamental que Portugal não interrompa o processo de recuperação económica iniciado” e “seria imperdoável que o país não estivesse em condições de poder, agora, tirar partido dos muitos sacrifícios efetuados”, ficando sem Orçamento de Estado para 2016.

“Ao contrário de outras forças, há no PS uma conhecida vinculação e respeito pelas regras da União Económica e Monetária e do Tratado Orçamental”, disse, para justificar que faça “sentido” pensar particularmente num entendimento com os socialistas.

A finalizar, Passos Coelho reafirmou “a intenção do Governo de até ao final do ano conseguir alcançar um défice inferior a 3% do PIB” e reforçou: “Estamos imbuídos de um espírito genuíno de compromisso e abertura, para com responsabilidade e realismo” procurar encontrar com o PS condições para governar.

Passos quer assegurar que até ao dia 14 - quando são conhecidos os resultados eleitorais finais, após apuramento dos votos dos emigrantes - estejam garantidas essas “condições de governabilidade”, considerando também que “até lá, não vale a pena especular ou alimentar um ‘romance‘ à volta do Governo”.

“O que vale a pena”, acrescentou, “é que o tempo disponível seja usado para que todos exerçam as suas responsabilidades”.

[notícia atualizada às 12h37]

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