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E como fez Cavaco em 2011?

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Alberto Frias

Um curto exercício de memória em tempo pós-eleitoral para entender Cavaco Silva, que vai falar ao país às 20h desta terça-feira

Luísa Meireles

Luísa Meireles

Redatora Principal

Cavaco Silva já disse nos últimos tempos várias coisas sobre como procederia em 2015, depois de se saberem os resultados eleitorais e as atenções se virassem para ele, o supremo magistrado da nação que tem constitucionalmente a competência de nomear o novo primeiro-ministro.

Além do seu constante apelo ao compromisso "porque Portugal precisa", o Presidente afirmou também que tomaria "diversas iniciativas" tendo em vista a formação de um Governo que, sabe-se, gostaria que tivesse apoio parlamentar maioritário, tivesse ou não a forma de acordos na Assembleia ou de coligação. E também disse que já tinha estudado "todos os cenários" e que sabia muito bem o que iria fazer.

Eis, portanto, a sua primeira iniciativa. Depois de não ter comparecido nas cerimónias do 5 de Outubro (à semelhança - disse - do que fizeram em tempo eleitoral alguns dos seus antecessores), marcou para as 18h desta terça-feira uma audiência com Passos Coelho, enquanto líder do Partido Social-Democrata, o mais votado nestas eleições. E, seguidamente, falará ele próprio ao país às 20h.

Em 2011 (e em 2009), Cavaco Silva recebeu logo após o ato eleitoral o líder do partido mais votado. Mas, no mesmo dia em que, em junho de 2011, recebeu Passos Coelho, o seu chefe da Casa Civil leu uma curta declaração no Palácio de Belém.

Dizia: "Tendo o PSD vencido as eleições, o Presidente da República incumbe o presidente da comissão política nacional do PSD a desenvolver de imediato diligências com vista a propor uma solução governativa, que disponha de apoio maioritário e consistente".

E prosseguia a declaração: "Precedendo a indigitação do primeiro-ministro, aquelas diligências devem ser realizadas com a maior celeridade possível e ser comunicadas ao Presidente da República antes da publicação oficial dos resultados eleitorais".

Não é crível que Cavaco Silva repita a declaração esta terça-feira - fala aos portugueses pelas 20h -, até porque é ele próprio que faz a comunicação ao país sobre a formação do novo Governo. Mas de certeza que não é inocente o facto de a fazer apenas uma hora antes do início da reunião da comissão política do Partido Socialista, que irá avaliar o resultado das eleições e traçar, em princípio, a estratégia a seguir.

Além de que há muito que o Presidente considera que, se os contrangimentos legais já obrigam a demorar algum tempo no processo de formação do Governo, não deve ser por ele que tal processo se atrase ainda mais

Em 2011, a formação do Governo demorou 16 dias. Na altura, estava em causa a execução de um memorando recém-assinado e a participação, em Bruxelas, numa cimeira de chefes de Estado e de Governo.