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Álvaro Beleza pede “clarificação” da liderança do partido

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O dirigente socialista defendeu que o partido precisa de eleições primárias para eleger um novo secretário geral. “Temos de projetar o PS para o futuro e não para o passado”

Lusa

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José Caria

José Caria

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O dirigente socialista Álvaro Beleza reiterou esta terça-feira, à entrada para a reunião da Comissão Política Nacional do partido, a defesa de primárias para escolha do secretário-geral, advogando que o partido "não pode andar para trás".

"Sempre defendi que a escolha do candidato a primeiro-ministro, e o secretário-geral do PS é sempre um candidato a primeiro-ministro, deve ser por eleições primárias e o partido não pode andar para trás e fechar-se aos portugueses. Temos de projetar o PS para o futuro e não para o passado", vincou, cerca das 21:45, à entrada para a sede do PS, situada no Largo do Rato, em Lisboa.

E prosseguiu: "Entrei no PS faz hoje 30 anos, a seguir à maior derrota eleitoral do PS. Confesso que não pensava, passados estes 30 anos, estar aqui a discutir e a debater as razões de uma derrota. Queremos saber qual a estratégia para a vitória nas eleições presidenciais, que é uma questão fundamental".

Beleza recuperou a ideia transmitida esta tarde à agência Lusa de que deve haver eleições primárias no PS a seguir às eleições presidenciais, porque, advoga, tem de haver uma "clarificação" da liderança do partido.

Álvaro Beleza, que integrou a direção do PS de António José Seguro e foi um dos responsáveis pela transição entre essa liderança e a de António Costa, vincou que é necessária uma "clarificação interna" sobre a liderança do PS a ter depois das eleições presidenciais de janeiro de 2016, e às quais concorrem dois nomes da área política do PS: Maria de Belém e Sampaio da Nóvoa.

De todo o modo, acrescenta o socialista, António Costa, ao não demitir-se no domingo após a derrota nas legislativas, indicia que se irá recandidatar à liderança do partido, mas, advoga Beleza, do mesmo modo que Costa chegou à liderança do PS através de primárias o mesmo método deveria ser agora aplicado.

"O secretário-geral do PS é sempre um possível primeiro-ministro", sustenta Beleza, recordando o facto de as primárias de 2014 terem sido para escolher o candidato socialista a primeiro-ministro e não o secretário-geral do partido.

Costa, prosseguiu esta tarde à Lusa o antigo membro da direção de Seguro, deve ser "coerente", e portanto a "legitimação" da liderança do PS "tem de ser feita no mesmo tipo de eleição" com que o antigo presidente da Câmara de Lisboa chegou ao poder no partido.

A reunião da Comissão Política do PS segue-se às legislativas de domingo, que a coligação Portugal à Frente (PSD/CDS-PP) venceu sem maioria absoluta com 38,55% (104 deputados), e com o PS a conseguir 32,38% (85 deputados), quando faltam apurar os quatro deputados relativos aos círculos da emigração.

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