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PND extinto, deputado mantém-se na Assembleia Legislativa da Madeira

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José Manuel Coelho deputado do PND Madeira protagonizou um dos incidentes que ficaram para a história do partido quando, em novembro de 2008, levou uma bandeira nazi para o hemiciclo

Invadiram o “Jornal da Madeira”, fizeram protestos em inaugurações e agitaram os últimos anos do jardinismo, mas o partido onde militaram acaba de ser extinto pelo Tribunal Constitucional. O PND não apresenta contas há três anos

Marta Caires

Jornalista

A extinção do PND estava para rebentar, mas só esta terça-feira se tornou oficial com a publicação do acórdão do Tribunal Constitucional. O partido deixa de existir por ter falhado a apresentação das contas durante três anos consecutivos. Na Madeira, onde tem a sua força de apoiantes e de eleitores, o deputado no Parlamento regional e os deputados na assembleia municipal do Funchal são agora independentes. A passagem ocorreu antes da extinção do partido, o que “permite continuar a lutar”.

Apesar do estilo e do discurso, Gil Canha, o agora deputado independente na Assembleia Legislativa, admite que foi “um erro não ter mandado um maço de papel com as contas para o Tribunal Constitucional”. O mais importante, sublinha, é continuar no ativo, “esta é uma guerra maior”. Os lugares eleitos estão salvaguardados, mas os 68 mil euros que o PND recebia do Parlamento regional para financiar a atividade política extinguem-se com o desaparecimento do partido.
“Não é o mais nos preocupa. Esse dinheiro foi usado para distribuir vales pelos reformados e cabazes de comida. Também usámos para fazer o papel do Ministério Público e reabrir o processo Cuba Livre. Só isso custou-nos 15 mil euros”. O processo Cuba Livre investiga irregularidades na gestão do Governo Regional e o combate à corrupção e aos privilégios de alguns grupos económicos foram sempre bandeiras do partido agora extinto por não ter apresentado as suas contas.

Os primeiros sinais de algo não ia bem na Nova Democracia surgiram no Verão quando o partido decidiu não se candidatar às eleições de 4 de Outubro. A justificação, na altura, era que vários membros da lista de candidatos esperavam por um mandado para cumprir uma pena de 26 dias de prisão efetiva. Os candidatos não queriam escudar-se na imunidade que lhes garantiam a campanha eleitoral. Na verdade, desde o princípio do Verão que os apoiantes do PND se definem como ativistas e não como militantes de um partido político.

Foi assim que se apresentaram quando quatro destes ativistas anunciaram que não iriam pagar a multa e cumprir a pena de prisão a que foram condenados pela invasão do “Jornal da Madeira”, em Setembro de 2011. Em protesto pela cobertura da lei eleitoral, o PND esteve um dia barricado no corredor do jornal pró PSD e Alberto João Jardim. Saíram em grande com diretos para as televisões no estilo que tinham inaugurado em 2007.

O PND fez protestos nas inaugurações de Jardim e conseguiu um deputado. Nas autárquicas de 2009, chegaram à vereação da Câmara do Funchal e, por essa altura, o Parlamento Regional estava já virado do avesso com as ações de José Manuel Coelho, então deputado do PND. Houve o episódio do relógio, depois o desfraldar da bandeira nazi e polícia na Assembleia Legislativa. Coelho havia de seguir o exemplo, foi candidato a presidente da República e fez sensação nas eleições regionais de 2011 ao eleger três deputados, mas já no PTP.

A génese foi o PND cujas ações políticas abalaram os últimos anos do jardinismo. Acompanhados de um humorista – o Bexiga – entraram nas festas das inaugurações, nem sempre com o melhor resultado já que houve agressões e confrontos. E, na Assembleia, um deputado foi arrastado por funcionários por se ter sentado no lugar de Jardim. O combate que Gil Canha diz não estar acabado, nem perdido e não deixa de lado a possibilidade de encontrar, no futuro, outra barriga de aluguer para manter viva a luta política.

O Partido da Nova Democracia, que nasceu de uma cisão no CDS e com Manuel Monteiro, nunca foi, na Madeira, uma questão de ideologia. Era um “partido de protesto”.