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Coligação evita outdoors com Passos e Portas

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Nova vaga de cartazes arranca no fim da semana, nenhum com o rosto dos dois líderes. Vem aí ''mensagem forte'' e ''o maior evento de campanha dos últimos 20 anos''

Está decidido: Pedro Passos Coelho e Paulo Portas até podem ganhar as eleições mas não vão ser cabeças de cartaz. A nova vaga de outdoors da coligação Portugal à Frente, que vai ser lançada no fim desta semana, não será com o rosto dos dois líderes. A direção de campanha optou por não fazer cartazes personalizados com os dois governantes.

Explicação oficial: uma foto com Passos e Portas está em todos os desdobráveis de campanha que foram feitos em todos os distritos e distribuidos por todas as residências. E a aposta para a reta final é uma nova vaga de cartazes com uma mensagem que fonte da direção de campanha antecipa como ''muito forte''. Que frases ou palavras chave?, é segredo. Para já, apenas se sabe que ao contrário do Partido Socialista, que personalizou quase totalmente a sua campanha em torno de António Costa , a coligação governamental optou por focar as atenções na mensagem: ''Portugal agora pode mais''.

Por detrás desta decisão estão duas coisas: por um lado, a convicção de que uma mais valia óbvia nesta campanha é poder mostrar que a economia mexe, as instituções privadas de solidariedade social estão em alta e há empresas a exportar e crescer, ou seja, a recuperação está em marcha; por outro, sabem que o rosto de primeiro ministro somado ao rosto de vice primeiro ministro, é Governo a mais. E o medo de correr riscos mora aqui.

Bem posicionados nas sondagens como não sonharam estar nesta fase do campeonato, os dois líderes da coligação gerem a vantagem com os piscas em alerta vermelho. O mínimo deslize pode ser fatal, todos os cuidados são poucos e se o ditado diz que em equipa que ganha não se mexe, o melhor mesmo é mexer pouco. Daí os cuidados redobrados nos contactos com as populações. Nunca se sabe o que é que a zanga na rua reserva e nisto, como no resto, este é o Governo de jogar pelo seguro.

Não valia a pena tantos caldos de galinha. Hoje, no Montijo, a caravana ensaiou uma arruada e não houve protestos, nem sindicalistas, nem a esquerda a dar sinal de vida. ´Verdade seja dita que a coligação preveniu-se: anunciou a arruada para as cinco, chegou às quatro e meia e às cinco já tinham saído. Mas a mulher amargurada que falou com Passos num café resumiu a coisa: ''Estou desempregada, não arranjo trabalho mas o senhor está a fazer o melhor e não há outra solução''. É esta a narrativa da direita. Aparentemente não lhes bloqueiam muito o caminho. "Ordinário, vai-te mas é embora", foi o único grito de alma que contrariou a maratona.

A partir do próximo fim de semana, a coisa muda e a direita promete maior ousadia. De Aveiro para cima é mais fácil e, embora a direção de campanha continue a monitorizar o programa, que só divulga ao pormenor no próprio dia, para ir fechando decisões, está previsto que o norte lhes mude o ritmo. Estão a ser mobilizadas seis mil pessoas para um mega-evento a decorrer no distrito de Aveiro na próxima sexta-feira - "o maior evento de campanha dos últimos vinte anos", antecipa Matos Rosa, secretário-geral do PSD.

Do Tejo para cima, vai jogar-se a reta final do duelo com Costa. Do Tejo para baixo, até ver, o pior já passou.