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Chefe do Exército critica reformas de Aguiar-Branco

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Discursando nas comemorações do Dia do Exército, o general Carlos Jerónimo alertou o ministro da Defesa para a instabilidade causada pela reforma em curso, a “Defesa 2020”, e exigiu mais investimento "para que se ultrapasse o plano das intenções". Aguiar-Branco respondeu às críticas

O chefe do Estado-Maior do Exército (CEME) defendeu este domingo que a estabilidade necessária ao desempenho das missões foi afetada pelo processo de reestruturação empreendido pelo Governo, no que poderá ser interpretado como uma chamada de atenção para o impacto neste ramo das Forças Armadas da reforma em curso, a chamada “Defesa2020”.

“O Exército necessita que, ao processo de reestruturação em curso, seja dado o tempo suficiente para que a sua implementação se faça sem sobressaltos e sem inflexões de rumo geradoras de uma contraproducente instabilidade”, afirmou o general Carlos Jerónimo este domingo, em Vila Real.

Para o CEME, a “necessária estabilidade” que permite ao Exército concentrar-se no “desempenho eficaz das missões” não se compadece com “processos de reestruturação sucessivos e sobrepostos, os quais não têm permitido as necessárias validações e têm, até, gerado desperdícios na afetação de recursos”.

Discursando nas comemorações do Dia do Exército, o militar fez ainda questão de sublinhar que “as revisões legislativas e documentos estruturantes produzidos são relevantes mas não configuram, por si só, a materialização de quaisquer progressos”. E para que "ultrapassem o plano das intenções, torna-se necessário que a atribuição de recursos se adeque à manutenção e levantamento das capacidades definidas no Sistema de Forças 2014".

“Os ajustamentos considerados necessários pela tutela incluíram o cancelamento de alguns projetos considerados estruturantes”, sublinhou o general CEME e avançou com os números: “É sabido que o cálculo das necessidades de investimento para modernizar o Exército ascenderam a cerca de dois mil milhões de euros. Ficamos com uma ideia clara da situação se tivermos em conta os valores considerados até 2026, à distância de mais de uma década, da ordem dos 670 milhões de euros, ou seja, cerca de 30% das necessidades do Sistema de Forças Terrestres”.

Aguiar-Branco contra-atacou

Na sua intervenção, o ministro da Defesa lembrou que a reforma “Defesa 2020” visou precisamente criar condições para “fixar as prioridades para a modernização e reequipamento das Forças Armadas” e destacou a “reestruturação muito forte” que foi necessário fazer nos últimos quatro anos para o reequilíbrio das contas públicas e também da Defesa Nacional.

José Pedro Aguiar-Branco disse ainda que foi possível, na atual legislatura, descongelar as promoções, fazer uma racionalização de meios, dando como exemplo a criação de um hospital único para as Forças Armadas e a fixação de um “balizamento orçamental” que pode ir até 1,2% do PIB para o orçamento da Defesa Nacional.

“Está estabilizado todo o quadro que é necessário para agora se dar corpo à execução e é isso que nós todos em conjunto devemos fazer”, concluiu o ministro.