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Muitos presidentes para um barco só

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Autarcas do Funchal e de Machico foram convidados a sair para Miguel Albuquerque entrar. O incidente aconteceu na procissão de barcos de Nossa Senhora da Piedade, no Caniçal. Presidência do Governo nega qualquer interferência no caso

Marta Caires

Jornalista

Ainda a procissão de embarcações em honra de Nossa Senhora da Piedade seguia no mar do Caniçal, Madeira, e já o caso era público: o presidente da Câmara do Funchal tinha sido convidado a deixar o barco onde estava para que pudesse entrar o presidente do Governo.

E teria de ser assim, pois Miguel Albuquerque avisara que não iria na procissão ao lado de Paulo Cafôfo. O autarca do Funchal fez a vontade e deixou o 'Mal Amanhado' – o atuneiro onde estava - e foi seguido pelo presidente da Câmara de Machico.

Foi o autarca de Machico a contar o incidente, a falar do convite para sair e do tal aviso por telefone. Segundo Ricardo Franco, um dos armadores do barco onde se encontrava na companhia de Paulo Cafôfo, de um vereador de Machico e alguns amigos e familiares veio informá-lo de que o presidente da Câmara teria de sair.

“Um dos proprietários disse-me que tinha recebido um telefonema e que o presidente Cafôfo tinha sair senão o presidente Miguel Albuquerque não entrava, não queria estar no mesmo barco. Também me disse que eu podia ficar, mas depois disto decidi sair”.

Paulo Cafôfo era convidado de Ricardo Franco e o presidente da Câmara de Machico garante que avisou os armadores que trazia convidados e que disse quem era. O que é certo é que os autarcas acompanharam a procissão, mas noutro barco. No 'Mal Amanhado' foi apenas um presidente: Miguel Albuquerque que já questão de negar qualquer envolvimento no caso.

A presidência do Governo emitiu um comunicado a assegurar isso mesmo, tendo acrescentado que espera que este mal entendido não interfira nas relações institucionais entre o Governo e a Câmara Municipal do Funchal. O mesmo comunicado adianta que toda a história parece "ser uma tentativa para criar um conflito" entre a câmara da capital madeirense e o Governo Regional.

Miguel Albuquerque chegou meia hora depois da saída dos autarcas e, segundo fonte da Quinta Vigia, soube do caso pelo site do Diário de Notícias da Madeira. Quem também já se demarcou do incidente foi o armador. Diamantino Santos assegura que os presidentes saíram por vontade própria, ninguém os terá dito para ir embora.

No entanto, Ricardo Franco insiste na sua história. “Se não fosse assim que sentido teria estar a dizer que foi assim? Falaram-me num telefonema, disseram que era a exigência de Miguel Albuquerque e disseram-me a mim, ao presidente Cafôfo e ao vereador Nuno Moreira”.

A procissão de Nossa da Piedade, no Caniçal, faz-se no mar, com as embarcações de pesca e realiza-se todos os anos em Setembro. O Caniçal é uma localidade de Machico, onde a população se dedica à pesca do atum.