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Costa. Só o PS é “capaz de abrir um caminho e concretizar esse caminho”

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MARIO CRUZ/ LUSA

Num almoço-comício dedicado à temática da igualdade, líder socialista criticou as conceções de família da coligação PSD/CDS-PP, considerando “inaceitável que se faça o discurso da natalidade e, ao mesmo tempo, se excluam as mulheres solteiras do acesso à procriação medicamente assistida”

O secretário-geral do PS procurou esta sexta-feira, no distrito de Setúbal, bipolarizar a questão eleitoral, sustentando que as outras forças da oposição se esgotam no protesto e que só os socialistas são alternativa de Governo à coligação PSD/CDS-PP.

António Costa introduziu esse dualismo político, numa lógica de ou o PS ou a coligação PSD/CDS-PP, no final do seu discurso num almoço-comício no Seixal, município bastião dos comunistas.

"Se querem outro caminho diferente daquele que foi seguido pelo Governo, também não há muitas escolhas, ou melhor, muitas escolhas há, só que a verdade é esta: depois de tudo visto e revisto, só há uma que é mesmo capaz de abrir um caminho e concretizar esse caminho", declarou.

Sem nunca citar diretamente a CDU ou o Bloco de Esquerda, o líder socialista ainda desenvolveu mais esta sua tese de defender que só o PS "é alternativa de Governo" ao executivo de Pedro Passos Coelho.

"Quem não quiser esgotar a sua boa consciência no protesto e na manifestação, que não se quiser esgotar na retórica mas quiser pôr a sua boa consciência ao serviço da resolução dos problemas concretos de homens e mulheres do país, para isso não basta protestar, para isso não basta manifestar, para isso é necessário governar. E os únicos que assumem a responsabilidade dos riscos e encargos da governação somos nós", advogou o secretário-geral do PS.

Neste almoço-comício, dedicado à temática da igualdade, Costa esteve acompanhado pela sua mãe, Maria Antónia Palla, e pela cabeça de lista por Setúbal, Ana Catarina Mendes. Após a intervenção de ambas, o socialista defendeu um Governo com maior paridade entre géneros e o fim da exclusão das mulheres solteiras no acesso à procriação medicamente assistida (PMA). Um discurso com muitas críticas à corrente conservadora.

Numa crítica direta às conceções de família da coligação PSD/CDS-PP, o líder socialista considerou "inaceitável que se faça o discurso da natalidade e, ao mesmo tempo, se excluam as mulheres solteiras do acesso à procriação medicamente assistida".

Na questão da paridade na política, António Costa fez um rasgado elogio à lista de candidatos a deputados socialistas por Setúbal, liderada por Ana Catarina Mendes, que apresenta o mesmo número de homens e de mulheres.

"Não sei se vou conseguir imitá-la no Governo, mas temos de dar um grande avanço", referiu o secretário-geral do PS, recebendo palmas das mulheres socialistas.

Tal como afirmara no início deste mês, numa sessão em Alverca, António Costa voltou a criticar a aprovação, pela maioria PSD/CDS-PP, em final de legislatura, da revisão da lei de interrupção voluntária da gravidez, considerando que essa legislação "reabriu uma ferida na sociedade portuguesa" e "humilha as mulheres".

"Reabriremos a nova legislatura com a revogação dessa lei", reiterou o líder socialista, recebendo uma prolongada salva de palmas.

Na sua intervenção, o secretário-geral do PS defendeu que a crise agravou as desigualdades entre homens e mulheres, sobretudo ao aumentar o desemprego e a precariedade laboral.

Além dos oradores, compareceram no almoço-comício dedicado à igualdade, na Baía do Seixal, candidatas a deputadas socialistas que se têm destacado em termos de intervenção pública neste tema, casos de Isabel Moreira, Helena Roseta, Edite Estrela e Elza Pais.

A jornada de campanha de António Costa começou ao fim da manhã no Montijo, um dos poucos concelhos liderados pelo PS, num distrito em que os socialistas disputam a eleição de deputados, tanto à sua direita com a coligação PSD/CDS-PP, como à sua esquerda, sobretudo com a CDU.

Durante cerca de uma hora, debaixo de sol intenso, com um grupo de bombos a animar a arruada, o secretário-geral do PS percorreu as principais ruas do centro da cidade, sempre acompanhado pelo presidente da Câmara, o socialista Nuno Canta.
António Costa passou à porta da Casa do Benfica do Montijo, entrou em cafés e em várias lojas, tendo ouvido queixas de cidadãos sobre pensões, o sistema de saúde ou o estado do ensino artístico.

Neste ponto de campanha no Montijo, o líder socialista esteve sempre acompanhado por vários candidatos a deputados do PS no círculo eleitoral de Setúbal, caso da cabeça de lista, Ana Catarina Mendes, de Inês de Medeiros e de Eduardo Cabrita.