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Congressistas americanos insistem em Centro de Informações na base das Lajes

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tiago miranda

O presidente do Comité de Intelligence do Congresso escreve carta na qual explica que as Lajes são a opção mais barata e funcional e acusa Pentágono de fornecer informações erradas

Luísa Meireles

Luísa Meireles

Redatora Principal

Devin Nunes, o presidente de origem açoriana do Comité dos Serviços de Informação da Câmara dos Representantes, voltou à carga tendo em vista a instalação na base das Lajes, na Terceira, do Centro Conjunto de Análises de Informações (JIAC, no seu acrónimo em inglês) que, no seu entender, pouparia 1,1 mil milhões de dólares (975,5 milhões de euros) aos Estados Unidos.

Numa carta aos seus pares, os presidentes dos Comités das Forças Armadas do Senado (John McCain) e da Câmara dos Representantes (Mac Thornberry), adverte-os de que, num momento em que está a ser finalizada a lei anual que autoriza os gastos na Defesa, o Departamento de Estado está a fornecer informações erradas e enganosas sobre os custos da instalação do referido centro de espiões.

O Pentágono, juntamente com o comando militar europeu (EUCOM), quer instalá-lo na base britânica de Croughton, enquanto mais de uma centena de congressistas, democratas e republicanos, liderados por Devin Nunes, contestam essa decisão e preferem que o JIAC seja instalado nas Lajes por ser a opção mais barata, reunindo todas as condições operacionais.

O Centro poderá acolher mais de mil funcionários, especialistas em análise de dados. Compor-se-ia de três vertentes: os elementos de suporte do EUCOM e do AFRICOM, cujos quartéis-generais estão em Estugarda, mais mais a célula de informações da NATO (NATO Intelligence Fusion Cell).

Para os Açores seria a opção ótima, que veriam assim resolvidos os problemas económicos resultantes da drástica redução da base, decidida em função das reorganização das forças americanas na Europa, anunciada no princípio deste ano.

Segundo Nunes, as informações fornecidas ao Congresso são deliberadamente erradas para forçar a decisão num determinado sentido, pelo que acusa o Departamento de Defesa de não responder às questões dos congressistas. No Congresso decorre neste momento uma investigação para verificar se houve efetivamente manipulação ou falsificação dos números por parte da Administração americana.

As poupanças das Lajes

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Segundo o estudo feito pelo Comité dos Serviços de Informações da Câmara dos representantes, o Pentágono está a tomar decisões que irão custar "aos contribuintes" mais de mil milhões de dólares. Se fosse decidido instalar o Centro nas Lajes, as poupanças anuais seriam na ordem dos 39-46 milhões de dólares (34,5 - 40,7 milhões de euros) , num total entre 1,1 a 1,4 mil milhões de dólares (975,5 - 1,2 milhões de euros), relativamente à instalação do JIAC em Croughton.

As maiores poupanças seriam na habitação (1/3 das de Croughton), num total de cerca de 500 milhões de dólares (443,4 milhões de euros), tanto mais que o Governo dos Açores, em carta também subscrita pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, já se disponibilizou a facilitar as casas.

Segundo o estudo, as Lajes têm 550 habitações e outras 1600 poderiam ser arrendadas na ilha. Em tempos, a base já teve uma população militar de três mil pessoas, o que pode ser multiplicado por quatro se forem contadas as famílias.

O outro obstáculo levantado pelo EUCOM e o Departamento de Defesa à instalação do centro nas Lajes seria a falta de cabos de fibra ótica suficientemente potentes, o que é desmentido pelo estudo (e pelo Governo dos Açores). A base é servida por cabos que operam a uma velocidade de 2.5 Gb por segundo. Esta rede poderá ser otimizada para poder funcionar a velocidades de até 100 Gbps.

O estudo refere ainda que as Lajes teriam a vantagem de ter uma diferença de apenas duas horas em relação aos quartéis-generais do AFRICOM e do EUCOM.

Salvaguardar relações

Toda esta “guerra” decorre por enquanto entre o Congresso e a Administração, nada tendo sido decidido em definitivo. Até agora, a administração americana nada disse ao Governo português, embora no comunicado conjunto resultante da reunião extraordinária da Comissão bilateral, em junho, tenha sido admitida a possibilidade de “outros usos” para as Lajes.

A ideia dos congressistas, por outro lado, também tem vindo a evoluir. Se, numa primeira abordagem, a questão das poupanças seria a mais importante, transferindo para a ilha Terceira os elementos de suporte do EUCOM e do AFRICOM e a célula de informações da NATO, há agora quem sugira que esta célula se poderia manter no Reino Unido (base aérea de Wyton), deslocando para lá um pequeno número de analistas americanos.

Desta forma, seriam mantidas as boas relações com o principal aliado, o Reino Unido, ao mesmo tempo que se salvaguardariam também as relações com Portugal. Alguns congressistas sugerem mesmo que, dadas as boas ligações de Portugal com os países africanos e do Magrebe, poderia ser deslocada para as Lajes algum pessoal português.

Até agora, tudo se passa no âmbito americano. Portugal aguarda que qualquer decisão seja tomada e, até lá, limita-se a dizer que, quando houver uma proposta concreta, estudará a possibilidade de reforçar a sua presença nas Lajes.