Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

Passos perguntou e Costa não respondeu: como vai poupar 1000 milhões na segurança social?

  • 333

José Carlos Carvalho

A Segurança Social já tinha sido um dos grandes temas do frente a frente televisivo. Voltou a sê-lo nas rádios. Passos explorou a falta de detalhe da proposta de Costa no que respeita à introdução da condição de recursos para obtenção de algumas prestações sociais

Cristina Figueiredo

Cristina Figueiredo

Jornalista da secção Política

Foi um debate longo, que se prolongou mais de um quarto de hora além da hora e meia prevista - algo só possível de acontecer nas rádios, onde se travava o frente a frente. E, também por isso, bem mais esclarecedor do que o primeiro. Desta vez houve Europa e refugiados, temas ausentes da discussão televisiva. Houve impostos, dívida, segurança social e educação. Ausentes, e ainda bem, José Sócrates e "o quem chamou a troika?", ainda que se tenha encontrado um novo tema para reclamar paternidade: desta vez, "quem é afinal o responsável pela resolução da dívida da Câmara de Lisboa?" .

O segundo encontro entre os dois homens que disputam o lugar de primeiro-ministro foi vivo, confrontacional, como os debates devem ser. Passos partia em desvantagem mas conseguiu mostrar que vinha preparado para dar luta logo aos primeiros minutos, quando agarrou o tema Europa (e a política seguida pelo Syriza, na Grécia) que lhe escapara da primeira vez. Costa foi claro no distanciamento do Syriza: "O Syriza adotou a estratégia errada (...). A mudança faz-se pela negociação, não pela confrontação". Passos não desperdiçou a deixa: "O Siryza e Tsipras diziam o mesmo que o PS (...) e acabou a negociar uma austeridade ainda maior. Quando a realidade confronta os governos, o que estes têm a fazer é resolver os problemas". Sobre os refugiados, um consenso, talvez o único de toda a conversa: a Europa tem de fazer mais, a guerra (a eufemisticamente designada "solução militar") um último recurso, disseram ambos.

Mas a questão que voltou a dominar a conversa foi, como na semana passada, a Segurança Social. Questionado sobre que prestações sociais o PS admite vir a exigir condições de recurso (i.e., o conjunto das condições que o beneficiário deve reunir para poder solicitar determinada prestação social), Costa não respondeu: "Iremos fazer a avaliação do conjunto das prestações", disse primeiro. Passos Coelho não largou: "Que prestações não estão ainda sujeitos a condições de recursos que o dr. acha que podem permitir à Segurança Social poupar mil milhões?". E insistiu: "É muito dinheiro em quatro anos - tem de dizer quais são as prestações sociais afetadas por isto. Se não sabe é porque tem um número que não sabe a que diz respeito". E a verdade é que Costa não soube contrapor (embora ainda tenha tentado, lembrando que o programa da coligação inclui 600 milhões de cortes nas pensões): "Será negociado no momento próprio em concertação social", limitou-se a afirmar.

Passos ainda desafiou o adversário a esclarecer se o PS está ou não disponível, "ganhe ou perca" as eleições, para se sentar à mesa com a coligação e discutir uma reforma da Segurança Social de que, sustenta, "o país precisa mesmo". Costa repetiu o que sempre tem dito a este respeito: a reforma já foi feita em 2007.

No fim do segundo e último dos frente a frente entre os dos principais candidatos à vitória a 4 de outubro, as opiniões foram mais ou menos unânimes: Passos conseguiu repor a nulidade do marcador. O que vai ser decisivo, afinal, é mesmo a campanha eleitoral, com início oficial no próximo domingo.