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Passos: o Syriza dizia o mesmo que o PS

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José Carlos Carvalho

Líder do PSD cola o discurso de António Costa e do PS ao que dizia Tsipras antes de ser eleito; Costa considera que o Syriza adotou a estratégia errada

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

Jornalista da secção Política

Primeira preocupação de António Costa no debate com Pedro Passos Coelho: demarcar-se do Syriza; primeira prioridade de Passos: colar o PS ao Syriza. O caso grego foi o tema escolhido para o arranque do frente a frente, e não podia ser escolha mais certeira, com o diretor da TSF, Paulo Baldaia, a citar as palavras de António Costa, quando saudou a eleição de Tspiras como o sinal de um novo rumo da União Europeia.

António Costa voltou, como já fez anteriormente, a demarcar-se da estratégia do Syriza, que considerou "errada", por ter apostado num confronto com a Europa e em decisões unilaterais. E saltou daí para o ataque a Passos: ao contrário das imposições europeias sobre a Grécia, em Portugal o que tivemos foi um chefe do Governo que quis uma via austeritária.

"Não foi a Europa que obrigou o dr. Passos Coelho a ter esta política, produziu esta política por vontade própria", pois "quis ir além e foi além da troika". Conclusão de Costa no primeiro 'round': "Tivemos sacrificios que não seriam necessários e que resultam do pensamento político do dr. Passos Coelho".

A resposta de Passos não deixou a conversa desfocar-se da Grécia e da primeira reação de alegria do PS perante a vitória de Tsipras. "Ao contrário do que diz o dr. António Costa, que o Syriza seguiu uma estratégia tonta, na verdade o Syriza, e Tsipras, dizia exatamente o que o senhor dizia": o discurso sobre a mudança na Europa e a recusa da austeridade.

Esse discurso, frisou Passos, que resultaria de um alinhamento de partidos socialistas, acaba sempre por ser esmagado pela realidade, explicou Passos: foi assim em França, com Hollande, em Itália, com Renzi. "Quando a realidade confronta os governos, o que têm de fazer é responder aos problemas, e não adotar uma retórica que as pessoas sabem que não têm qualquer viabilidade."

Costa insistiu que o problema de Portugal não foi a Europa nem a troika, mas "este Governo"; ao que Passos respondeu que o problema nestes quatro anos foi a herança do Governo socialista. "A austeridade em Portugal foi aquela que os senhores consentiram que a realidade nos impusesse."