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Ferreira Leite. Debate “mais esclarecedor”, mas “medidas nem vê-las”

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Alberto Frias

A antiga líder do PSD disse que algumas “virtudes e riscos” sobre as proposta para a Segurança Social ficaram por discutir . No habitual espaço de comentário da TVI 24, falou ainda sobre a crise dos refugiados e sobre fim das negociações do Novo Banco

Sem declarar vencedor nem vencido, Manuela Ferreira Leite considerou o segundo e último debate entre António Costa e Pedro Passos Coelho “mais esclarecedor” do que o anterior. Na noite desta quinta-feira, no habitual espaço de comentário na TVI 24, a antiga líder do PSD admitiu, no entanto, que na questão da Segurança Social ficaram pontos por debater.

“Fartei-me de ouvir falar em milhões. Milhões para ali, milhões para aqui, mas medidas nem vê-las”, disse. “Acho que não se percebe que aqueles milhões são sustentados por dois modelos diferentes de Segurança Social”, acrescentou.

Ferreira Leite “pretendia” que Passos e Costa discutissem no debate as virtudes e os riscos desses dois sistemas. Independentemente do vencedor das eleições a 4 de outubro, os dois vão ter “de se sentar à mesa”, pois é “impossível” tomar uma decisão sobre a alteração no sistema de Segurança Social “sem que haja acordo entre os principais partidos”.

A crise de refugiados “é quase como um abalo sísmico”

Manuela Ferreira Leite lamentou que não se tenha previsto a situação dos refugiados na Europa. “Numa época em que se prevê tudo... Pior do que não reagir é não prever. A Europa acordou com a bomba em cima”.

Ferreira Leite lembou ainda que enquanto se discutia a crise política e economia da Grécia, já as ilhas gregas “estavam cheias de refugiados”. Apontou também o dedo a Bruxelas, que passou “noites inteiras a discutir a Grécia” e agora “não têm uma noitinha para discutir” a situação dos milhares de refugiados que todos os dias entram na Europa.

“Enquanto se está a discutir décimas de défice, estamos à beira de um problema que rebenta o défice de qualquer país” referiu.

A antiga ministra das Finanças acusou ainda as “instituições” de fingirem que “desconhecem o problema” e de apenas acordarem “já com a bomba nas mãos”. António Guterres, Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados, também não ficou imune às críticas: “Só agora é que o ouvi falar no assunto”.

“Decisão adiada melhor do que um má decisão”

Relativamente ao Novo Banco, Ferreira Leite dá “graças a Deus” por haver instituições que tenham decidido não comprar. “Não houve decisão de não vender, o que houve foi a decisão de não comprar”, sublinhou.

“Eu não sei se foi um fracasso ou não. Eu penso que é melhor uma decisão adiada do que uma má decisão”, disse.

Recorde-se que no começo da semana as negociações da venda do Novo Banco falharam. A decisão só acontecerá depois da eleições.