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A confusa passagem do Livre pela Madeira

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Na foto, Rui Tavares, líder do partido

MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

Houve contactos com a população, uma arruada tímida e uma providência cautelar que acabou por ser adiada

Marta Caires

Jornalista

De manhã havia uma providência cautelar pronta a entregar no Tribunal Administrativo, até tinha hora prevista e era o grande trunfo da visita dos dirigentes nacionais do Livre à Madeira: acabar com o prazo de 60 dias para receber o reembolso das passagens aéreas entre a região e o continente. Tudo para garantir aos madeirenses o direito a ser “portugueses por inteiro”.

A iniciativa foi anunciada à porta do Mercado, na baixa do Funchal, onde Rui Tavares e Daniel Oliveira foram distribuir os folhetos de campanha e antes de uma tímida arruada pela cidade. Os detalhes seriam explicados depois numa conferência de imprensa, mas não houve conferência e a providência cautelar ficou pela intenção. Era melhor pensar em todos os 'quês'. A vontade mantém-se, garantem os candidatos pela Madeira.

Confuso? A providência cautelar, se fosse aceite, poderia suspender o subsídio de mobilidade e deixar quem comprou passagens para o continente sem reembolsos, o que seria pior do que esperar dois meses. Ou seja, seria mais uma acha numa polémica que dura há 17 dias.

As novas regras - as prometidas viagens a 86 euros para residentes e 65 euros para estudantes - entraram em vigor a 1 de Setembro debaixo de um coro de protestos. Quem quiser viajar para o continente paga o bilhete por inteiro e recebe o excedente 60 dias depois.

Um prazo que o Livre quer reduzir, pois lembra que nem todos residentes e estudantes podem esperar dois meses por um reembolso cujo teto máximo vai até 314 euros. É muito tempo para esperar se se tiver em conta os preços das passagens nas épocas altas como agora, com o regresso dos estudantes do ensino superior ao continente .O valor médio das viagens está acima dos 400 euros.

A suspensão iria agravar ainda mais a situação e por isso a providência foi adiada. "Temos de pensar melhor isto, dividir em duas ações para não lesar os cidadãos", explicou ao Expresso Carlos Pestana, número dois da lista do Livre pela Madeira.

“Não basta mudar as moscas”

A questão do subsídio de mobilidade, antes de se saber deste volte face, foi apresentada como apenas um exemplo do “muito que há para mudar na Madeira”. Daniel Oliveira, membro da direção de campanha do Livre, lembrou que a região é um lugar de radicalidade democrática, onde ainda existe uma batalha a travar para os madeirenses sejam “portugueses por inteiro”. “Não basta mudar as moscas”.

Oliveira, que tem origens madeirenses, entende que é chegado o momento da região deixar de um espaço de exceção, onde não existe uma lei de incompatibilidades para os deputados na Assembleia Legislativa. Os madeirenses, adiantou, têm o direito a viajar dentro do País como qualquer outro português, como um portuense, como um açoriano ou um lisboeta.

Notícia atualizada às 08.37