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Quem chamou a troika? Portas cita Soares. “O estado de negação do PS é um sinal de risco”

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José Carlos Carvalho

A polémica continua e o vice-primeiro-ministro veio esta quarta-feira a terreiro com uma citação de Mário Soares, para provar que foi José Sócrates quem pediu a ajuda externa

“Gostaria de citar uma frase que responde a essa polémica que anda por aí [quem chamou a troika?]”. Atento à manchete do Público com a carta de Passos a dar ok ao pedido de ajuda, o vice-primeiro-ministro passou a citar uma frase de Mário Soares de 17 de fevereiro de 2012, onde o ex-Presidente da República conta como Sócrates acabou por ceder e pedir a ajuda externa.

“Tive uma discussão gravíssima com ele [José Sócrates]. Eu queria que ele pedisse o apoio e ele não queria. Durante duas horas discutimos brutalmente. O ministro das Finanças Teixeira dos Santos também interveio. E ele [José Sócrates] acabou por ceder perante a evidência das coisas”.

Eis a citação que Paulo Portas esgrimiu na manhã desta quarta-feira, com um aviso a reboque: “Estar em negação absoluta, estar a convencer o país de que não foram eles a chamar a 'troika', nem a criar as condições para a 'troika' chegar, que não foram eles a levar a dívida até 110% ou a deixar o défice em 11%, tomem cuidado. Este estado de negação, não perceber o que aconteceu em 2011, é um sinal de risco, de que, se pudessem, podiam repetir o mesmo erro em 2015''.

O líder do CDS-PP e vice-primeiro-ministro falava na Casa Museu Paula Rego, em Cascais, na abertura de uma conferência sobre Economia Social, onde acusou o Partido Socialista de “completa irresponsabilidade” por contestar o papel das IPSS e das Misericórdias no apoio aos mais carenciados. “Se o Estado parar de contratualizar com o sector social há meio milhão de pessoas desfavorecidas que ficam sem teto, sem abrigo, sem apoio”, afirmou.

“Sem querer perder demasiado tempo” com outros temas, Portas não deixou, no entanto, desguarnecida a frente ''quem chamou a troika?'' e não perdeu a oportunidade para acusar o PS de António Costa de estar a “tentar reescrever a história”.