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O golo de Vilarinho que lesionou Durão Barroso

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José Luís Arnaut levou o futebol para a campanha de Durão Barroso à boleia do Euro. E o Benfica tremeu. Vilarinho estampou-se em direto. A dívida fiscal do Benfica esteve em cima da mesa. E o Zé Manel chegou a primeiro-ministro. A menos de um mês das legislativas, revisitamos as nossas memórias políticas. Este é o 12º capítulo

Hoje em dia seria impensável mas em 2002 aconteceu. Durão Barroso deixou que a campanha para as legislativas que o levariam ao poder fosse literalmente invadida … pelo futebol. Com o Euro 2004 na forja e José Luís Arnaut, o homem que tinha acompanhado as negociações do Euro nos bastidores, na primeira linha da direção de campanha de Barroso, tudo na comitiva cheirava a ''bola'': os cachecóis, os hinos, os apoiantes, um verdadeiro festival de futebol instalado na política.

Dia 5 de março, num mega jantar em Rio Maior com mais de duas mil pessoas, a coisa evoluiu para níveis nunca vistos. Várias estrelas acorreram ao evento, de Eusébio a Fernando Gomes, passando por Simão Sabrosa, Sá Pinto, o brasileiro Jardel, João Pinto, Jaime Pacheco, João Loureiro, Luís Filipe Vieira, e Manuel Vilarinho.

O então presidente do Benfica entusiasmou-se (tanto que ao descer por uma rampa a lembrar o acesso ao estádio, escorregou e estatelou-se ao comprido) e declarou o apoio ao PSD: ''Estou aqui por decisão dos orgãos sociais do Benfica. Decidimos apoiar esta candidatura e o PSD. Queremos influenciar os benfiquistas neste sentido: quando estiverem a votar lembrem-se que estes senhores ajudaram-nos a resolver um questão''.

Qual questão, era tabu. Mas os jornalistas que andavam a acompanhar a caravana de Durão Barroso viveram, nessa semana, uma tarde estranha que levantou suspeitas. Sem aviso prévio, foi cancelado o programa previsto, alegadamente por afazeres inesperados do candidato, nunca esclarecidos.

Na sexta-feira, dia 8, O Independente fazia manchete com a história: Durão tinha ido com Pedro Santana Lopes encontrar-se com Manuel Vilarinho em Azeitão, para este lhe expôr o plano do Benfica para pagar os 2,5 milhões de dívidas ao fisco. Segundo o semanário de Paulo Portas, seria a Caixa Geral de Depósitos a emprestar a verba ao clube da Luz.

Durão desmentiu o acordo. E Vilarinho - que entretanto percebeu que tinha violado os estatutos benfiquistas ao expressar o apoio em nome da instituição - foi obrigado a pedir desculpa. Fê-lo em comunicado, que rematou assim: ''O meu único partido é o Benfica''. O instinto de killer de Durão Barroso fez o resto: ''O Partido Socialista é que está habituado a negociar com lóbis e pensa que sou como eles''.

No Diário de Notícias, Miguel Portas escrevia: ''A direção do Benfica dorme com Durão Barroso e a do Porto com Ferro Rodrigues''. Antes da troika, as campanhas eram outra coisa.

  • Os nossos tesourinhos das campanhas

    Beijos em anões, mergulhos no Tejo, gafes, debates épicos, bolos-reis comidos à pressa, mais gafes, frases memoráveis, momentos embaraçosos e outros gloriosos. E, claro, muita política. Varremos tudo de forma pouco científica e puxámos pela memória de 40 anos de democracia. Durante o mês que antecedeu as legislativas, revisitámos diariamente as campanhas de outrora. Juntamos o resultado num único artigo

  • No tempo em que os comícios de Sócrates tinham sabor a caril

    Não é novidade que em campanha eleitoral os partidos tentem sempre encher a sala. Mas o PS de Sócrates exagerou. Em Évora, na corrida de 2011, os turbantes que compunham a plateia deram nas vistas. A menos de um mês das legislativas, revisitamos as nossas memórias políticas. Este é o 11º capítulo

  • Quando Soares chocou com uma “alfaiataria” das novas

    Mário Soares, candidato presidencial em 2006. O povo na rua já não vibra com o bochechas e o animal político sente na pele que a idade conta. Em Viseu, foi uma loja a trai-lo. A menos de um mês das legislativas, revisitamos as nossas memórias políticas. Este é o nono capítulo

  • Quando a lota matou o candidato

    Nove de junho de 2004: a três dias do início do Euro de futebol e a quatro das eleições europeias, a trágica morte em plena campanha de Sousa Franco, cabeça de lista do PS, chocou o país. A menos de um mês das legislativas, revisitamos as nossas memórias políticas. Este é o oitavo capítulo

  • Quando Soares confundiu o CDS com o PP e Ribeiro e Castro com o PS

    A última campanha presidencial de Mário Soares foi uma prova para o candidato, mas também para os jornalistas. Houve momentos de grande confusão e este foi seguramente o mais confuso de todos. A menos de um mês das legislativas, revisitamos as nossas memórias políticas. Este é o sétimo capítulo

  • Quando Sampaio defendeu a honra de Cavaco e calou um apoiante

    Jorge Sampaio nunca foi o político habitual, muito menos em campanha no terreno. Às vezes desconcertava os seus próprios apoiantes, como na vez em que deu um raspanete público a um apoiante que resolveu chamar “ladrão” a Cavaco Silva, seu opositor nessas presidenciais. A menos de um mês das legislativas, revisitamos as nossas memórias políticas. Este é o sexto capítulo

  • Como Guterres mudou os debates para sempre e as arrobas chegaram ao estrelato

    António Guterres é provavelmente o político mais dotado em televisão que vimos em muitos anos. Ao pé dele, mesmo Paulo Portas ou Francisco Louçã eram “apenas” bons. Guterres tinha tanta confiança nos debates parlamentares e televisivos que mudou as suas regras para sempre. A menos de um mês das legislativas, revisitamos as nossas memórias políticas. Este é o quinto capítulo

  • O PIB de Guterres contado na primeira pessoa

    A política portuguesa está cheia de gaffes, mas esta é a mais célebre de todas. Tão célebre que, na verdade, nem sequer é uma gaffe e ficou assim cunhada para a história. A menos de um mês das legislativas, revisitamos as nossas memórias políticas. Este é o quarto capítulo, contado por Ricardo Costa - que fez a famosa pergunta a Guterres

  • O carnaval de Santana

    Uma campanha que parou ao segundo dia e uma inesperada visita a São Bento, com Santana a oferecer chás e cafés. A menos de um mês das legislativas, revisitamos as nossas memórias políticas. Este é o terceiro capítulo

  • E Soares beijou o anão…

    Depois de o Expresso ter publicado em três etapas a retrospetiva dos melhores debates televisivos em Portugal, agora prossegue com uma nova série: histórias de campanha. A um mês das legislativas, revisitamos as nossas memórias políticas. Este é o segundo capítulo

  • “Consigo ainda dava uma cambalhota!”

    Depois de o Expresso ter publicado em três etapas a retrospetiva dos melhores debates televisivos em Portugal, agora arranca com uma nova série: histórias de campanha. A um mês das legislativas, revisitamos as nossas memórias políticas

  • Viagem aos melhores debates televisivos em Portugal (etapa 1)

    Soares vs Cunhal, cigarros e mais cigarros, Soares contra Zenha, Freitas e Soares numa eleição épica e, claro, o célebre dia em que Marcelo, o rei da comunicação, perdeu o pio frente a Sampaio e lhe entregou a Câmara de Lisboa numa bandeja. Os nossos debates televisivos têm muito que contar. Por isso, puxámos da nossa memória seletiva e contamos tudo. Primeira etapa de uma viagem que continua nos próximos dias

  • Viagem aos melhores debates televisivos em Portugal (etapa 2)

    Nesta etapa há de tudo: do violento Basílio vs. Soares de 1991 ao debate que Jerónimo venceu por estar... afónico. Pelo meio, temos o importante Guterres/Nogueira, a vez em que o primeiro-ministro Guterres quis fazer debates sucessivos contra todos e o único confronto entre os irmãos Paulo e Miguel Portas. Quase no fim, a inequecível noite em que Santana e Sócrates se enfrentaram. Segunda etapa de uma viagem que terá ainda um terceiro e último capítulo

  • Viagem aos melhores debates televisivos em Portugal (etapa 3)

    Lembra-se de quando Carrilho deixou Carmona de mão estendida? E da noite em que Soares e Alegre se enfrentaram num estúdio televisivo? Neste artigo lembramos esses debates, mais o Cavaco/Alegre e dois dos melhores dos últimos anos: Sócrates contra Louçã em 2009 e o Passos vs. Sócrates em 2011. Terceira e última etapa da nossa viagem aos melhores debates televisvos em Portugal