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A carta de Passos a Sócrates com o “ok” à troika

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Alberto Frias

Em 2011, o agora primeiro-ministro enviou uma carta onde manifestava “preocupação” com o estado do país e ainda o apoio ao pedido de ajuda financeira externa feito por José Sócrates

A carta data de 31 de março de 2011. Na altura, era José Sócrates quem governava. Nesse documento, a que o jornal “Público” teve acesso, Pedro Passos Coelho, em nome do PSD, dava a conhecer que o partido que liderava não iria deixar “de apoiar o recurso aos mecanismos financeiros externos”, caso o Governo assim o decidisse. O agora primeiro-ministro dava assim o “ok” dos sociais-democratas à vinda da troika para Portugal.

“Nestas circunstâncias, entendo ser meu dever levar ao seu conhecimento que, se essa vier a ser a decisão do Governo, o Partido Social-Democrata não deixará de apoiar o recurso aos mecanismos financeiros externos, nomeadamente em matéria de facilidade de crédito para apoio à balança de pagamentos”, lê-se na carta publicada na íntegra pelo jornal “Público” esta quarta-feira.

Nos dias que se seguiram ao envio da carta, os primeiros de abril, começaram a surgir manifestações públicas de que a vinda da troika era a melhor solução. Primeiro foi Passos Coelho e logo depois Paulo Portas, por exemplo. Os banqueiros reuniram-se também com Carlos Costa, governador de Banco de Portugal. E ao início da noite de dia 6, José Sócrates anunciava aos portugueses que Portugal iria mesmo avançar com um pedido de ajuda externa.

Na carta enviada ao primeiro-ministro socialista, Passos Coelho diz que a decisão está inteiramente na mãos do Governo e que a sua carta tem como objetivo manifestar a “preocupação” com o estado do país.

“Recebi hoje informação, da parte do senhor Governador do Banco de Portugal, de que o nosso sistema financeiro não se encontra, por si só, em condições de garantir o apoio necessário para que o Estado português assegure as suas responsabilidades externas em matéria de pagamentos durante os meses mais imediatos. Ainda esta manhã o senhor presidente da Associação Portuguesa de Bancos transmitiu-me idêntica informação. Estes factos não podem deixar de motivar a minha profunda preocupação”.

Há quatro anos, Passos pressionava o Governo socialista para que este pedisse ajuda financeira. E assim acabou por acontecer. A 20 de maio de 2011, o diretório executivo do Fundo Monetário Internacional (FMI) aprovava um acordo, por três anos, com Portugal.