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Jerónimo de Sousa defende que Novo Banco deve ser de controlo público

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HUGO DELGADO/ Lusa

O secretário-geral do PCP considerou as negociações como um “fracassso”, que impossibilita “esconder por mais tempo que a intervenção no BES é mais uma peça no escandaloso processo dirigido para fazer pagar aos trabalhadores e ao povo português os verdadeiros custos da especulação e da gestão danosa dos principais grupos financeiros”

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, defendeu esta segunda-feira que o Novo Banco, cuja venda foi adiada, deve ser de controlo público, ficando ao serviço do desenvolvimento económico do país.

"A opção certa, a que pode contribuir para o desenvolvimento económico do país, é colocar o Novo Banco sob controlo público e, a partir daí, colocá-lo ao serviço do desenvolvimento económico do país, nomeadamente no apoio às micro, pequenas e médias empresas e no apoio às famílias", referiu durante um comício na Maia, distrito do Porto, perante mais algumas centenas de militantes.

O comunista salientou que a opção que serve os interesses de Portugal "não é entre vender por um valor mais ou menos próximo" dos 4.900 milhões de euros utilizados na recapitalização do Novo Banco.

O Banco de Portugal interrompeu o procedimento de venda do Novo Banco e vai agora começar a preparar uma nova operação de alienação do banco, anunciou hoje o regulador em comunicado.

"O Conselho de Administração do Banco de Portugal optou por interromper o processo de venda da participação do Fundo de Resolução no Novo Banco, iniciado em 2014, e concluir o procedimento em curso sem aceitar qualquer das três propostas vinculativas", adiantou a instituição liderada por Carlos Costa.

Agora, segundo o mesmo comunicado, "é intenção do Banco de Portugal retomar o processo de venda depois de serem removidos os principais fatores de incerteza relativos ao Novo Banco", um procedimento que, segundo fontes próximas do processo, deverá ser lançado no final de 2015 ou início de 2016, embora o 'timming' da nova operação esteja em aberto.

O Governo defendeu hoje que "era melhor" que o Novo Banco tivesse sido bem vendido agora, mas que o importante é que a alienação ocorra "de facto em boas condições", manifestando "total confiança" no Banco de Portugal.

Jerónimo de Sousa realçou que Pedro Passos Coelho manifestou o seu acordo com o adiamento da venda do banco, "o contrário do que andou a defender até agora".

"Perante o fracasso das negociações de venda do Novo Banco e a impossibilidade de esconder por mais tempo que a intervenção no BES é mais uma peça no escandaloso processo dirigido para fazer pagar aos trabalhadores e ao povo português os verdadeiros custos da especulação e da gestão danosa dos principais grupos financeiros, que sucessivos governos e reguladores alimentaram, vêm agora tentar salvar a face [Pedro Passos Coelho], com o argumento de que o importante é vender bem", disse.

O líder do PCP dirigiu ainda críticas ao PS: "António Costa nada diz e até justifica o seu silêncio com a preocupação de não criar dificuldades ao negócio da venda. É isto que tem apenas a dizer aos portugueses o secretário-geral do PS, confirmando que o seu partido nada aprendeu com a situação do BPN que tanto custou ao povo português".

Relativamente às eleições legislativas do próximo dia 04 de outubro, Jerónimo de Sousa realçou que o "filme" e os "protagonistas" são sempre os mesmos.

Desde a entrada no euro quem não se lembra de Durão Barroso acusar António Guterres de deixar o país de tanga, depois veio Sócrates dizer que Durão Barroso fugiu porque deixou o país numa desgraça e depois veio o PSD/CDS-PP de Passos Coelho e Portas dizer que o PS arruinou o país e, agora, vem o PS dizer que PSD/CDS-PP deixaram o país de rastos", recordou.