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“Hoje somos 10 milhões de lesados do BES”: PS reage à polémica do Novo Banco

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FOTO LUÍS BARRA

Banco de Portugal colocou um ponto final no atual processo de venda do Novo Banco. O novo concurso será aberto nunca antes do final de novembro. Socialistas falam em fracasso de Passos. “Não vale pena o primeiro-ministro continuar a esconder-se atrás do governador do Banco de Portugal”

O deputado socialista Pedro Nuno Santos disse esta terça-feira que a interrupção da venda do Novo Banco representa "um dos maiores fracassos" do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, e exigiu conhecer os custos para os contribuintes.

Em declarações aos jornalistas, no Porto, o vice-presidente da bancada socialista e cabeça de lista do Partido Socialista (PS) pelo círculo de Aveiro às eleições legislativas disse que "importa pedir ao primeiro-ministro que esclareça quanto é que vai custar e porque é que foi sendo prometido ao povo português permanentemente que não haveria custos para o contribuinte".

"O cancelamento da venda do Novo Banco representa um dos maiores fracassos da governação de Pedro Passos Coelho. Depois de terem dito várias vezes que queriam vender rápido o Novo Banco, a verdade é que terminamos esta legislatura sem conseguir vender o Novo Banco", diz Pedro Nuno Santos.

Para o socialista, "era importante que Pedro Passos Coelho assumisse as suas responsabilidades e viesse dar explicações ao país: o que é que correu mal em todo este processo?".

"Nós hoje somos 10 milhões de lesados do BES e não vale pena Pedro Passos Coelho continuar a esconder-se atrás do governador do Banco de Portugal ou atrás do BPN, tem que assumir as suas responsabilidades neste processo", refere Pedro Nuno Santos.

O também líder da Federação de Aveiro do PS sublinhou que "muito provavelmente o Novo Banco vai necessitar de ser recapitalizado" e que "obviamente quem terá de recapitalizar o banco será o fundo de resolução", esperando que "não sejam mais uma vez os contribuintes portugueses".

"Um sistema bancário que já não tem uma grande folga em matéria de capitalização, aquilo que fará, muito provavelmente, é refletir os custos nos seus clientes. Em Portugal, os contribuintes e os clientes do sistema bancário são exatamente os mesmos. Seremos nós a pagar esta intervenção e portanto não vale a pena continuar - julgo que não é justo nem correto para os portugueses que o ainda primeiro-ministro continue a dizer que não vai haver custos para o contribuinte."

O Banco de Portugal interrompeu o procedimento de venda do Novo Banco e vai agora começar a preparar uma nova operação de alienação do banco, anunciou esta terça-feira o regulador em comunicado.

"O Conselho de Administração do Banco de Portugal optou por interromper o processo de venda da participação do Fundo de Resolução no Novo Banco, iniciado em 2014, e concluir o procedimento em curso sem aceitar qualquer das três propostas vinculativas", adianta a instituição liderada por Carlos Costa.

Agora, segundo o mesmo comunicado, "é intenção do Banco de Portugal retomar o processo de venda depois de serem removidos os principais fatores de incerteza relativos ao Novo Banco", um procedimento que, segundo fontes próximas do processo, deverá ser lançado no final de 2015 ou início de 2016, embora o timing da nova operação esteja em aberto.