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Sabe onde foi o segundo mergulho de Marcelo? Não, não foi no Tejo

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Ilídio Teixeira

Um dia destes vamos escrever sobre o célebre mergulho de Marcelo, o do Tejo na campanha eleitoral de 1989. Agora lembramos outro, menos conhecido, mas testemunhado pelo Expresso quando Marcelo era líder do PSD. A menos de um mês das legislativas, revisitamos as nossas memórias políticas. Este é o décimo capítulo

Cristina Figueiredo

Cristina Figueiredo

Jornalista da secção Política

Quem acompanhou os tempos da liderança de Marcelo Rebelo de Sousa no PSD (foi o meu caso) nunca mais teve uma experiência igual. Marcelo tem a fama de ser frenético, ir a todas, esbanjar simpatia, ser imprevisível. Confirmo: não é só fama, é proveito também.

Em setembro de 1996, Marcelo era líder do PSD há escassos meses e empenhou-se a fundo no seu primeiro teste eleitoral. "Seu" é uma força de expressão: o combate, em bom rigor, era de Álvaro Dâmaso, que sucedera ao histórico João Bosco Amaral na liderança do PSD/Açores e tentava segurar o governo regional para os sociais-democratas nas eleições marcadas para 13 de outubro.

Não era fácil: o PSD governava o arquipélago desde sempre e, do lado dos socialistas, Carlos César afirmava-se como uma desejada lufada de ar fresco (como se sabe, venceu). Mas mesmo sabendo das dificuldades, ou por causa delas, Marcelo vai até lá e arrasta consigo uma comitiva de jornalistas do continente, entre os quais me encontro.

Naquela tarde, estávamos na ilha Terceira. Tínhamos acabado de sair de um almoço de campanha, onde Marcelo fingira que comera e fingira que bebera, proferira um efusivo discurso de incentivo ao baço Dâmaso e saíra rumo ao ato seguinte na agenda, que seria só ao fim do dia.

Sei que não havia nada previsto na agenda quando, algures entre a Praia da Vitória e Angra do Heroísmo, o carro que levava o líder do PSD parou à beira-mar, num sítio sem nada nem ninguém à vista. A caravana estancou e todos nos perguntámos, com estupefação, o que se passava. Zeca Mendonça, o eterno assessor de imprensa da São Caetano à Lapa, não sabia o que dizer enquanto todos assistimos ao professor a sair do carro, dirigir-se ao porta-bagagens, tirar de lá um saco, dirigir-se a umas moitas, sair despido do fato e gravata e vestido com uns calções de banho e... atirar-se às águas quentes do Atlântico.

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    Nove de junho de 2004: a três dias do início do Euro de futebol e a quatro das eleições europeias, a trágica morte em plena campanha de Sousa Franco, cabeça de lista do PS, chocou o país. A menos de um mês das legislativas, revisitamos as nossas memórias políticas. Este é o oitavo capítulo

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    A última campanha presidencial de Mário Soares foi uma prova para o candidato, mas também para os jornalistas. Houve momentos de grande confusão e este foi seguramente o mais confuso de todos. A menos de um mês das legislativas, revisitamos as nossas memórias políticas. Este é o sétimo capítulo

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  • Como Guterres mudou os debates para sempre e as arrobas chegaram ao estrelato

    António Guterres é provavelmente o político mais dotado em televisão que vimos em muitos anos. Ao pé dele, mesmo Paulo Portas ou Francisco Louçã eram “apenas” bons. Guterres tinha tanta confiança nos debates parlamentares e televisivos que mudou as suas regras para sempre. A menos de um mês das legislativas, revisitamos as nossas memórias políticas. Este é o quinto capítulo

  • O PIB de Guterres contado na primeira pessoa

    A política portuguesa está cheia de gaffes, mas esta é a mais célebre de todas. Tão célebre que, na verdade, nem sequer é uma gaffe e ficou assim cunhada para a história. A menos de um mês das legislativas, revisitamos as nossas memórias políticas. Este é o quarto capítulo, contado por Ricardo Costa - que fez a famosa pergunta a Guterres

  • O carnaval de Santana

    Uma campanha que parou ao segundo dia e uma inesperada visita a São Bento, com Santana a oferecer chás e cafés. A menos de um mês das legislativas, revisitamos as nossas memórias políticas. Este é o terceiro capítulo

  • E Soares beijou o anão…

    Depois de o Expresso ter publicado em três etapas a retrospetiva dos melhores debates televisivos em Portugal, agora prossegue com uma nova série: histórias de campanha. A um mês das legislativas, revisitamos as nossas memórias políticas. Este é o segundo capítulo

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    Depois de o Expresso ter publicado em três etapas a retrospetiva dos melhores debates televisivos em Portugal, agora arranca com uma nova série: histórias de campanha. A um mês das legislativas, revisitamos as nossas memórias políticas

  • Viagem aos melhores debates televisivos em Portugal (etapa 1)

    Soares vs Cunhal, cigarros e mais cigarros, Soares contra Zenha, Freitas e Soares numa eleição épica e, claro, o célebre dia em que Marcelo, o rei da comunicação, perdeu o pio frente a Sampaio e lhe entregou a Câmara de Lisboa numa bandeja. Os nossos debates televisivos têm muito que contar. Por isso, puxámos da nossa memória seletiva e contamos tudo. Primeira etapa de uma viagem que continua nos próximos dias

  • Viagem aos melhores debates televisivos em Portugal (etapa 2)

    Nesta etapa há de tudo: do violento Basílio vs. Soares de 1991 ao debate que Jerónimo venceu por estar... afónico. Pelo meio, temos o importante Guterres/Nogueira, a vez em que o primeiro-ministro Guterres quis fazer debates sucessivos contra todos e o único confronto entre os irmãos Paulo e Miguel Portas. Quase no fim, a inequecível noite em que Santana e Sócrates se enfrentaram. Segunda etapa de uma viagem que terá ainda um terceiro e último capítulo

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