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“Entre Costa e Sócrates há requintes de malvadez de parte a parte ”

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Marques Mendes comenta a atualidade política no Jornal da Noite da SIC

D.R.

Marques Mendes considera que esta semana significou a “ruptura total” e “definitiva” do líder socialista com o ex-primeiro-ministro. “Costa percebeu que Sócrates era um ativo tóxico para o PS e para a sua campanha e isso pode ser positivo”

Para Luís Marques Mendes não houve um vencedor no frente-a-frente de quarta-feira entre Passos Coelho e António Costa. “Acho que ambos empataram, ninguém saiu mais esclarecido”, afirmou esta noite o ex-líder do PSD, no seu habitual espaço de comentário na SIC.

Na opinião de Marques Mendes, apesar das expectativas elevadas dos telespectadores - que se comprovaram pela audiência - o resultado do debate foi uma “enorme frustação”, tendo pecado sobretudo pela falta de conteúdo.

“O conteúdo foi pobrezinho, foi muito passado e pouco futuro, foi muito Sócrates. Houve muito lavar de roupa suja e isso não é bom. Falar sobre o futuro do país: impostos, desemprego, economia, ou educação nem uma palvra. Europa nem uma palavra”, lamentou.

Ainda assim, Marques Mendes reconhece que o desempenho do primeiro-ministro no debate televisivo ficou abaixo das expectativas, contrariamente ao secretário-geral do PS que surpreendeu. “Costa ganhou sobretudo na atitude, mais combativo, mais eficaz no ataque. Acho difícil não reconhecer que quer no plano da atitude, quer no plano das expectativas ganhou. Mas houve excesso de demagogia”, sublinha.

Relativamente ao eventual impacto deste debate nas eleições, Marques Mendes desvaloriza: “Do ponto de vista dos indecisos acho que nada muda (...) A dinâmica estava favorável à coligação e agora o PS inverteu. O PSD não perdeu a eleições, mas perdeu uma oportunidade”, realçou.

Segundo Marques Mendes, Passos Coelho foi eficaz do ponto de vista do esclarecimento dos dossiers e da ”colagem” que fez de António Costa com o passado, ainda que com ”excesso”. Destacou ainda pela negativa não ter abordado praticamente as conquistas do Executivo, como o aumento das exportações e do investimento.

“Pantufadas monumentais a Sócrates”

Mas o ponto mais significativo do debate - na visão do ex-líder do PSD - foi o secretário-geral do PS ter evidenciado a “ruptura total” e “definitiva” com o ex-primeiro-ministro.“As relações entre Sócrates e Costa estão no nível zero. Costa percebeu que Sócrates era um ativo tóxico para o PS e para a sua campanha e isso pode ser positivo”, observou.

Em primeiro lugar, Marques Mendes realça o facto de o líder socialista ter feito questão de dizer durante o debate que não ia visitar Sócrates a casa. “Isso foi de uma secura a toda a prova, sem uma explicação, nem nada.”

Em segundo lugar, destaca a afirmação de Costa sobre o atual programa do PS, descartando a hipótese de avançar com o TGV ou aeroporto, que eram as “grandes obras faraónicas de Sócrates”. Ora isto são, diz Marques Mendes,“ pantufadas
monumentais em José Sócrates, sem dó, nem piedade”.

Não agradado com esta postura, Sócrates, que tem “um ego do tamanho do universo”, segundo o comentador, resolveu responder a Costa divulgando a fotografia de um jantar com os seus amigos, enquanto assistiam ao debate.

Neste 'jogo', Marques Mendes não tem dúvidas de que há “requintes de malvadez de parte a parte”. E qual será o resultado disto? Para o antigo líder dos sociais-democratas é simples: das duas uma - “Se Costa ganhar as eleições, os socráticos vão borda fora. Se perder as eleições ou não tiver um bom resultado, terá os socráticos à perna”.