Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

“A troika só acaba quando este Governo acabar”

  • 333

FOTO HOMEM DE GOUVEIA/LUSA

Votar na coligação, diz António Costa, é permitir a “destruição da escola pública”, “o desmembramento do serviço nacional de saúde” e a entrega da “segurança social à especulação financeira”

Marta Caires

Jornalista

O Governo “traiu os compromissos”, “falhou objectivos” e “não está arrependido”, mas os eleitores que se arrependeram do voto em Passos Coelho e Paulo Portas têm agora a oportunidade de corrigir o engano. António Costa, que esteve esta noite num jantar comício no Funchal, diz que é fácil: é votar no PS nas eleições de 4 de Outubro. Só assim, explicou, se poderá virar a página já que “a troika só acaba quando este governo acabar”.

A troika, segundo o secretário-geral do PS, foi a desculpa para cortar pensões, privatizar empresas públicas ao desbarato, aumentar impostos, precarizar o trabalho e reduzir salários dos funcionários públicos. O mesmo argumento voltará a ser usado para destruir a escola pública, desmembrar o serviço nacional de saúde, privatizar a segurança social e deixar as pensões nas mãos dos especuladores financeiros. Os portugueses, sublinhou, terão decidir se querem isso ou se preferem as propostas socialistas que querem trazer esperança a todos.

António Costa falou em dar trabalho aos desempregados de longa duração, permitir que essas pessoas tenham mais “do que a miséria ou a dependência dos subsídios” e garantir que Portugal é para os jovens. Tudo sem comprometer as pensões e as conquistas do 25 de Abril como o ensino, a saúde e a segurança social para todos. O que está em causa nas próximas eleições são as respostas as estas questões, não é apenas a escolha do futuro primeiro ministro, “não é apenas uma questão de escolhas entre pessoas”.

O líder socialista ainda acrescentou que este executivo de direita não percebe o mundo como ele é e que vai deixar de herança um país mais pobre, de salários baixos e as relações de trabalho precarizadas. O mesmo governo que não conseguiu conter a dívida pública, nem soube fazer crescer a economia, tendo traído todos os compromissos assumidos com os eleitores há quatro anos. Razões que, todas somadas, são, segundo disse, suficientes para votar PS em outubro.

Não haverá discriminação

António Costa não esqueceu as particularidades de quem o ouvia, nem que estava na Madeira, num bastião social-democrata cujo governo regional é PSD. Para esclarecer dúvidas, garantiu que os interesses dos madeirenses nunca serão prejudicados por questões partidárias. “Cada português, cada madeirense, cada porto-santense será tratado por igual”, prometeu logo a abrir a intervenção no jantar comício desta sexta-feira no Funchal.

A presença nesta iniciativa dos socialistas regionais terá encerrado os desentendimentos de há dois meses entre o PS-Madeira e Lisboa a propósito da escolha do cabeça de lista. As relações estiveram tensas e Costa ameaçou cortar relações com Carlos Pereira, o presidente dos socialistas madeirenses. A escolha acabou por ser feita na Madeira. O assunto parece sanado e Carlos Pereira até fez um eloquente apelo ao voto em António Costa, até lembrou que, para os madeirenses, os governos da República socialistas são sempre mais favoráveis.

Guterres perdoou a dívida em 1998, Sócrates desbloqueou mil milhões de euros para a reconstrução do pós-20 de Fevereiro de 2010. António Costa será, então, mais compreensivo do que a coligação que aplicou à Madeira uma austeridade “maldosa”.

Apesar de tudo, Carlos Pereira, que além de líder é também o cabeça de lista da candidatura socialista pelo círculo eleitoral da Madeira, deixou claro que irá lutar pela autonomia. A sua batalha será pela entrega do Palácio de São Lourenço à Região, a residência oficial do representante da República. A autonomia regional “não precisa de intermediários”, disse.