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Cavaco diz esperar que os “casos judiciais continuem fora” da campanha

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FOTO MÁRIO CRUZ/LUSA

Chefe de Estado acredita que os seus apelos tem contribuído de alguma forma para um ambiente “menos crispado e tenso” durante a pré-campanha para as legislativas

O Presidente da República considerou esta sexta-feira que o período de pré-campanha eleitoral está ser ser menos crispado e tenso do que nas eleições anteriores, fazendo votos para que os casos judiciais continuem a ficar de fora da campanha.

"Comparando com campanhas anteriores, parece muito claro que o nível de crispação e de tensão é muito menor. Esta é a fase em que cabe aos partidos políticos explicar e esclarecer os portugueses sobre os seus programas e espero que se continue a fazer isso com serenidade", afirmou o chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva, em declarações aos jornalistas no final de uma visita ao Serviço de Formação Profissional de Setúbal.

Questionado se não teme que as questões de Justiça possam vir a perturbar o debate eleitoral, Cavaco Silva corroborou o que "de forma sensata todos os agentes que participam nesta campanha têm dito", defendendo que "os casos judiciais pertencem à Justiça".

"Não comento qualquer caso judicial e espero bem que aquilo que tem sido o comportamento bastante generalizado dos agentes políticos se mantenha até ao fim da campanha", acrescentou.

O Presidente da República escusou igualmente falar sobre o facto do antigo primeiro-ministro José Sócrates ter sido várias vezes falado ao longo do debate que opôs na quarta-feira o presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, e o secretário-geral do PS, António Costa, argumentando que não fará "qualquer declaração que possa ser vista como tendo incidência na campanha eleitoral".

Cavaco Silva, que remeteu para os comentadores políticos o "julgamento" do frente-a-frente entre Passos Coelho e António Costa, relevou apenas que viu "uma parte do debate".

Ainda relativamente ao 'tom' em que está a decorrer este período de pré-campanha eleitoral, e quando interrogado se pensa que a moderação que tem existido poderá indiciar um caminho para o consenso, o chefe de Estado disse pensar que todos vão "aprendendo alguma coisa nesta matéria.

"Eu próprio no dia 22 de julho, quando fiz uma comunicação ao país, fiz um forte apelo a que as forças políticas se empenhassem acima de tudo no esclarecimento dos portugueses e que deixassem de lado as crispações, os insultos, as tensões e penso que até este momento isso está a verificar-se de alguma forma. Agora devemos aguardar com serenidade a chegada do dia 4 de outubro", defendeu.

O Presidente da República considerou ainda que só no pós-eleitoral é que se conhecerá a posição de cada um dos partidos, recorrendo ao exemplo de outros países europeus: "Há uma campanha de esclarecimento durante o tempo fixado na lei, mas depois o que é normal e tem acontecido em todos os países da Europa é que cada um coloca sobre a mesa os seus programas eleitorais e tentam fazer os respetivos ajustes no caso de ninguém conseguir a maioria absoluta".